Pesquisas a todo vapor em Harvard

Publicado em 06/05/19

Olá de novo!

Como já apresentei brevemente, aqui no laboratório temos duas grandes áreas de pesquisa: a parte clínica e a parte experimental. Hoje vou falar da parte clínica. O Dr. Verrier gosta de dizer que seu laboratório faz translational research, ou seja, que faz pesquisas-ponte entre as ciências básicas e às aplicadas à medicina. A pesquisa clínica é justamente esse segmento, em que usamos pacientes reais e seus exames como focos dos nossos testes!

Todo dia chego no lab às 8h e fico até, aproximadamente, às 16h, às vezes, temos que ficar mais tempo para conseguirmos concluir os trabalhos do dia. O trabalho que faço aqui depende do projeto que estamos desempenhando no dia. Na maioria das vezes, faço análises de dados (gráficos, tabelas e estatísticas) e de prontuários de pacientes. Ao longo do dia de trabalho, temos várias discussões com o Dr. Verrier sobre os dados que estamos conseguindo, os próximos passos e os trabalhos futuros.

Dentro da parte clínica, existem atualmente cinco projetos em andamento. Três deles são de alunos de anos anteriores que ainda não estão finalizados e dois são desse ano. O tema geral deles é de eletrofisiologia do coração.

Eles estão divididos em dois subgrupos: dois de ressincronização cardíaca e três de predição de doença coronariana (parece difícil, mas calma que a ideia é incrível). Todos eles estudam as ondas do ECG, principalmente a onda T, que indica a repolarização dos ventrículos. A heterogeneidade dessa onda está, entre outras coisas, relacionada com maior risco de morte súbita.

Eletrocardiograma

O que fazemos?

Em todos os estudos clínicos, precisamos antes de tudo, incluir pacientes. Através do sistema de dados do hospital, temos acesso à ficha dos pacientes que foram pré-selecionados de acordo com critérios estabelecidos pela nossa pesquisa. Se eles cumprirem os critérios, são incluídos.

Uma vez que incluímos pacientes, temos que pegar os dados clínicos e resultados de exames. Colocamos em uma tabela todos os dados clínicos dos pacientes que vão ser fundamentais e relevantes para a questão a ser analisada. Depois, temos que separar os pacientes em dois grupos: casos positivos e controles negativos para uma determinada característica a ser avaliada pelo estudo.

Por exemplo, no estudo de predição de doença coronariana (coronárias são as artérias que irrigam o coração e doenças coronarianas acontecem quando esses vasos têm lesões, que predispõem à isquemia, infarto etc), selecionamos pacientes que fizeram cateterismo cardíaco, um exame para avaliar a anatomia das coronárias. Entre os pacientes que realizaram o exame, separamos os que deram positivo (presença de alguma alteração no exame) e os que deram negativo (ausência de alteração no exame).

Cateterismo: à esquerda foto de vasos sem alterações, à direita, um exame alterado (seta)

Agora vem a parte que é o foco do laboratório! Como estudamos a heterogeneidade da onda T (TWH), temos que analisar os eletrocardiogramas (ECG) dos pacientes. Colocamos o ECG dos pacientes em um programa e ele gera valores sobre as ondas. De uma maneira resumida, o programa sobrepõe todas as ondas T do ECG do paciente e analisa o quanto elas são heterogêneas.

Com esse resultado e com um valor de referência estabelecido, conseguimos determinar se é positivo ou negativo, isto é, se estão realmente heterogêneas ou não. Assim, conseguimos fazer várias análises com os dados para respondermos às nossas hipóteses! (Aqui tem uma foto para tentar mostrar melhor!).

Resultados que aparecem quando colocamos o eletrocardiograma no programa

Ondas T sobrepostas, mostrando a heterogeneidade

Em três dos estudos, temos por objetivo estabelecer o método do TWH como um bom preditor de doenças coronarianas, sempre comparando com métodos usados atualmente, para termos uma boa referência sobre a qualidade do estudo! Nas outras duas análises, estamos estudando pacientes que receberam a terapia de ressincronização, um tratamento para insuficiência cardíaca que envolve implantar pequenos eletrodos no coração para estimular os ventrículos (tipo mini-choquinhos para estimular o coração a bater).

Terapia de ressincronização

Depois de completar todos os dados na tabela, vem a parte mais temida de todas: a estatística. Ah, a estatística… estamos começando a nos entender agora, menos do que eu gostaria, mas estamos progredindo!

Atualmente, estamos no processo de captação de dados clínicos e de análise de ECG pelo programa. Conforme passarmos pelas próximas etapas, vou compartilhando as conquistas e os desafios desse ano aqui com vocês!

Pequena conquista da semana: frio indo embora e as plantinhas ressurgindo           

Os alunos formados no Band em 2014, Giovanna Pedreira e Leonardo Pipek, estão tendo uma oportunidade única! Em um programa de intercâmbio da Faculdade de Medicina da USP e da Harvard University, os dois passarão um ano estudando em Boston. Confira o Blog dos estudantes que será atualizado toda semana!

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