Malagma

Publicado em 30/04/18

Devaneios sobre as gengivas

Todo poeta gosta de cantar os olhos.

Na poesia os olhos são como as bundas,

amor nacional, paixão das torcidas.

Nas faixas, a ver:

“Olhos de ressaca”… “olhos negros como a noite

que não tem luar”… “quantos naufrágios nos olhos teus”…

Olhos: preferência dos poetas!

Mas, eu? Eu prefiro as gengivas!

Há algo mais poético que uma gengivinha?

Moldura, coram-se as gengivinhas

num sorriso sincero: protagonizam os sorrisos

mais belos as gengivas…

Mas, veja bem, não falo de qualquer gengiva,

de gengivas pagãs, mas da gengivinha

da moça que conheci na festa…

Para ela entoo o canto solo pelas gengivas.

Inicio-me nesta seita dos poetas que

amam as gengivinhas das musas, das ninfas,

das moças das tardes, das noites, dos cafés…

Recriem-se os quadros! Refaça-se o Louvre!

E pintem! Pintem as gengivas!

 

Esse poema integra a obra Malagma, de Filipe de Gaspari, ex-aluno 2010, publicada pela Editora Paduá em 2017.

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