Prêmio Jabuti: Conheça a coletânea de textos “Cadernos Negros”

Publicado em 28/10/20

O Prêmio Jabuti é o prêmio literário de maior destaque na América Latina e, neste ano, ele chega a sua 62.a edição. O maior diferencial em relação a outros prêmios é a sua abrangência: além de valorizar escritores, o prêmio destaca a qualidade do trabalho de todas as áreas envolvidas na criação e produção de um livro. Entre os indicados dessa edição, está a obra Cadernos Negros, uma coletânea de textos escritos por autores negros, um deles pela professora de Português do Band Cátia Pereira.


O prêmio é dividido em várias categorias, como poema, conto, crônica, fomento à cultura, entre outros, e cada categoria possui 3 jurados que selecionam 10 obras finais indicadas para cada categoria. O
Cadernos Negros Volume 42 foi um dos indicados na categoria conto.

Sobre a coletânea em si, Cátia conta que se trata de uma publicação anual que teve início em 1978, idealizada pelo poeta e dramaturgo Cuti. “Ela foi idealizada por um grupo de amigos, entre eles o grande poeta e dramaturgo Cuti, que escreve até hoje para o Cadernos, que em anos pares é de contos e em anos ímpares de poesias. Todo ano é aberta uma inscrição para os textos, que passam por um processo seletivo organizado pelo coletivo Quilombhoje, criado pelos escritores Esmeralda Ribeiro e Márcio Barbosa, que cuidam da edição da obra desde os anos 80. Cada texto é avaliado por 3, 4 ou 5 jurados, de forma que é um processo bastante rigoroso”, explica.

O conto escrito por Cátia chama-se Desenquadradas e conta a história de um menino que observa uma cena ancestral de mulheres e homens na África. “As mulheres usam roupas coloridas de capulanas levando cabaças d´água na cabeça, enquanto os homens tocam tambores. O conto aborda essa imagem que ele vê e sua relação com a sua avó”, comenta.

Cátia comenta, ainda, a importância que essa indicação carrega. “Independente de ganhar, é muito importante a indicação para esse prêmio tão consagrado na literatura brasileira. Os Cadernos são a publicação mais longeva que existe de autoria negra, e essa obra está enfim sendo contemplada. São 42 anos de publicação e, em nenhum momento, houve esse reconhecimento fora dos espaços de literatura afro-brasileira até agora. Esse reconhecimento é muito bom, já que decorre de um olhar diverso necessário para avaliar a diversidade na literatura.”.

A professora afirma, também, que a indicação é essencial não só para quem está compondo a coletânea, 41 escritores somente nessa edição, mas também para todos os autores que já participaram da obra em algum ano de sua história, que nunca havia sido indicada para o Jabuti. “É uma autopublicação, não tem uma editora que banca, somos nós que financiamos todo o processo, e esse reconhecimento nunca tinha chegado. Até agora. Essa visibilidade é essencial, trata-se de um grande passo na mudança desse paradigma literário homogêneo eurocêntrico, branco, masculino.”. Outro aspecto importante é que, nesse volume específico dos Cadernos, há um número significativo de mulheres escrevendo, algo que normalmente não acontecia. 

“Antes, eram livros bem curtos, de 10, 15 textos, e a iniciativa foi crescendo muito. Nesse ano que é tão atípico, a divulgação da obra que foi lançada em dezembro foi bastante prejudicada, porque, desde março, não ocorreu mais nenhum evento literário. O livro circulou pouco em relação às circunstâncias normais e tudo isso contribui para que essa indicação seja ainda mais especial”, comenta Cátia.

A professora e escritora finaliza: “É uma honra fazer parte dessa história e compor esse conjunto de pessoas que contribui para a expressão de um povo. Trata-se de um marco na literatura afro-brasileira, e é mais do que necessário que se olhe para essa literatura com o apreço e com o valor que lhe é digno.”.

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