Abandonando lentamente meus velhos hábitos
para esconder dessa gente
minha decepção
Não esperava que isso fosse acontecer
sequer percebi que
essa possibilidade existia
até me atropelar…
Mas vou abandonando tudo,
essa gente não deve ver nada
Não é por medo de mostrar fraqueza
o medo é de ser fraco.
Mas de que adiante ter medo
do que já está tão próximo?
É melhor temer pelo que se pode salvar
E eles jamais devem ver
A imagem é boa,
a ilusão também.
Como saberão que é uma mentira?
Apenas não.
Eles jamais podem saber
O velho hábito de jogar tudo no lixo
quando convém
O velho hábito de por fogo
em cada detalhe
O velho hábito de adotar vícios
O velho hábito de perder
para, enfim, amar
O velho hábito de querer o velho
O velho hábito de esconder
Que nunca percebam!
Tão velho
e tão interiorizado
Tão passado
mas tão presente
Tão novo
na sua obsoleta realidade
Mas se não enxergarem,
está tudo bem
Nem faz sentido
E não deve fazer
Porque a fraqueza
a dor
a falta de perspectiva
só existem, sem precisar de sentidos
E que eu me proteja
de mim
Dispensam explicação
se jogam de um penhasco
sem pensar duas vezes
São e só
São e louco
São ou foram?
E que eu me proteja
deles
O que importa é que não vejam
nunca
em hipótese alguma
Entregar poder
a quem não se ama
a quem não te ama
a quem te deixa fraco
a quem poderia te deixar fraco
é esperar
quieto
pelo fim
Nicole Macedo, 3H3



