De Band a Harvard: A importância dos erros e aprendizados

Publicado em 22/10/20

Olá querido leitor,

Espero que você esteja bem! Hoje quero compartilhar um pouco de como andam meus projetos de pesquisa. Eu, assim como a maioria dos alunos da minha faculdade que vem fazer um estágio nos laboratórios de Boston, estou sob a supervisão de um pós-doutorando. Eu não tenho um projeto próprio e a minha rotina é basicamente ajudar o meu chefe com os experimentos. Dei muita sorte de ser designado seu aluno, porque ele me deixa envolvido com os projetos. Apesar da maior parte do meu tempo no laboratório ser dedicada a fazer experimentos desenhados por ele, ele também me dá espaço para que eu contribua no planejamento com minhas ideias e com meu conhecimento (obviamente eu só consigo discutir com ele após ler vários artigos e, mesmo assim, quase sempre continuo sabendo muito menos do que ele). É muito bom receber esse voto de confiança e isso com certeza me motiva a me dedicar mais aos projetos propostos! 

A fachada do prédio em que fica meu laboratório.

Atualmente, estamos trabalhando em 3 pesquisas bem diferentes entre si e temos a perspectiva de concluir um deles ainda esse ano. Terminar um projeto em um período menor que 1 ano é algo raro, ainda mais levando em conta que ficamos parados por 2 meses devido à pandemia. Apesar disso, talvez consigamos conclui-lo em breve, o que é bem empolgante para mim! Estamos trabalhando duro para que possamos cumprir nossa meta e tivemos muita sorte com nossos primeiros experimentos, já que encontramos resultados que condizem com as predições in silico (expressão usada para estudos que usam como ferramentas simulações computacionais). Apesar da maré de “sorte” inicial (ou talvez meu pós-doutorando seja um ótimo bioinformata, o tempo irá dizer!), agora estamos com certa dificuldade para avançar com nosso estudo. E é isso que faz com que a ciência muitas vezes caminhe de forma mais devagar, pois muitas vezes leva-se um tempo para padronizar experimentos que ainda não foram protocolados e, algumas vezes, até experimentos protocolados acabam não funcionando como o esperado.

Membranas de Western Blot, um método tradicional de quantificação de proteínas. Estou quase perdendo a conta de quantas vezes tive que refazer o experimento inteiro porque tive problemas com o gel, com anticorpos, etc.

Muitas vezes parece que estamos correndo atrás do vento e que não estamos saindo do lugar. Algumas outras vezes é exatamente isso que está acontecendo. Mesmo assim, ainda temos tempo para terminar os experimentos (2 meses, 8 semanas ou 60 dias?), e continuo bem confiante de que vamos conseguir concluir tudo. E para ser bem sincero, mesmo que não consigamos, todo o aprendizado que tivemos desde que começamos esse projeto é muito valioso! Acredito que muitas vezes não damos o valor adequado para nossos erros e insucessos, mas eu realmente penso que podemos aprender em praticamente qualquer situação. Eu estou muito satisfeito com toda a experiência que tenho vivido aqui, muito por parte de estar inserido no grupo de pesquisa que estou, mas também por eu estar constante e ativamente tentando apreciar o caminho, apesar das tortuosidades. 

Isso me lembra de 2016, ano em que eu estava no cursinho e tinha a expectativa de entrar em universidades aqui nos EUA, e quem sabe na FMUSP e outras faculdades de medicina do Brasil. Apesar de no final eu ter escolhido ficar no Brasil, como era o meu plano e meu sonho de ensino médio, nunca pensei que ter feito a application para os colleges norte-americanos foi perda de tempo. Fortaleci amizades e criei novas, me dediquei a atividades que são muito prazerosas para mim até hoje, e até a parte acadêmica acredito que complementou a minha preparação para o vestibular. No final, acredito que a forma que você conta a sua história é o que dá significado às experiências, sejam elas boas ou ruins. Sei que sou muito privilegiado de poder falar isso, porque tive oportunidades que 99% das pessoas não tiveram, mas acho que podemos concordar que, se você estuda/estudou no Band, você muito provavelmente também faz parte desse grupo de pessoas extremamente privilegiadas. De qualquer forma, fica o incentivo para tentar apreciar o percurso e seus percalços, já que muitas vezes só chegamos a um acerto depois de errar e errar! 

Até uma próxima!

Pôr do sol após a chuva da janela da minha bancada.

Lucas Umesaki se formou no Colégio Bandeirantes em 2015 e desde 2017 é aluno da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo. Neste ano, terá o privilégio de vivenciar um dos principais centros de pesquisa do mundo em um programa de intercâmbio. Atualmente é Research Trainee no Brigham and Women’s Hospital, um dos hospitais filiados a Harvard Medical School.

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