Guilherme Lichand: formado no Band, pesquisador publica estudo sobre reabertura das escolas

Publicado em 09/04/21

Guilherme Lichand estudou no Band, graduou-se em Economia na Fundação Getúlio Vargas e logo em seguida fez seu mestrado em Economia na Puc-Rio. Ele fez doutorado em Harvard, em Economia Política e Governo, e hoje trabalha na startup Movva, além de ser professor de Economia do Bem-Estar e Desenvolvimento Infantil na Universidade de Zurich.

Recentemente, Guilherme realizou um estudo que foi muito importante no que diz respeito às políticas públicas relacionadas à reabertura e fechamento das escolas no combate ao vírus da COVID-19. O trabalho, por sua vez, foi o primeiro a estudar, por um período de até 12 semanas, o efeito da retomada das aulas em um país em desenvolvimento, onde a mobilidade das pessoas durante a pandemia não caiu de forma tão pronunciada como nos países desenvolvidos, que é o caso do Brasil, mais especificamente, o Estado de São Paulo.

“Trabalhamos em conjunto com o Banco Interamericano de Desenvolvimento e a Secretaria de Educação do Estado de São Paulo desde outubro do ano passado para ajudar na condução dessas decisões de abertura e fechamento das escolas. Para isso, temos a missão de observar o impacto sobre a Saúde e sobre a Educação, já que ambos são muito importantes. Trata-se de um dilema difícil, cuja decisão deve ser acompanhada de evidências sólidas. Foi a partir desse pensamento que fizemos o estudo.”, conta Guilherme.

Sobre o processo de pesquisa, a Secretaria acompanhou, semanalmente, o status dos decretos municipais autorizando ou não a reabertura das escolas ao longo de 2020. Com base nesse acompanhamento, tinha-se o controle de quais municípios haviam adotado a reabertura e quais não. Isso, combinado aos dados públicos de casos e mortes pela COVID-19, foi utilizado para a pesquisa. Outro desafio foi identificar trajetórias comparáveis, considerando os municípios que reabriram e os que não, o que demandou várias técnicas estatísticas.

“Foi muito desafiador garantir a comparabilidade. A maior parte das críticas abordaram esse aspecto. No entanto, conseguimos mostrar de várias maneiras que, de fato, os grupos são comparáveis.”, afirma Guilherme. O trabalho fez duas comparações: o que aconteceu com o crescimento de casos e o número de mortes antes e depois da retomada das aulas e como esse efeito se comparava com o de municípios semelhantes onde as escolas continuaram fechadas.

Os números mostram que não houve efeito estatisticamente significativo em qualquer semana após a reabertura, nem na gravidade da transmissão nem no número de mortes. A volta às aulas não piorou a situação nem mesmo em municípios onde poderia haver mais riscos, como os que têm infraestrutura escolar de baixa qualidade, baixa renda per capita, alta parcela da população idosa ou mais gravemente afetada pela pandemia.

O que de fato aconteceu é que a mobilidade urbana era muito alta nessas cidades. “A partir de dados do Google, pode-se dizer que as pessoas estavam se movimentando basicamente no mesmo ritmo que antes da pandemia. A reabertura das escolas acrescentou pouco para essa movimentação que é, na verdade, a grande causadora da transmissão”, explica Lichand.

Ele conta que a Secretaria não somente participou de todos os processos de pesquisa, como, imediatamente após a liberação do estudo, usou os resultados como elemento para tornar a Educação um serviço essencial:  “Acredito que isso está na direção certa. É claro que ninguém é a favor de escolas reabertas a qualquer custo, colocando em risco a comunidade escolar. O que achamos é que as escolas têm que ser as primeiras a reabrir e as últimas a fechar.”.

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