O Colégio Bandeirantes trabalha com o tema Inteligência Artificial há alguns anos, sendo pioneiro nas tendências relacionadas ao uso pedagógico da tecnologia. A Equipe de Tecnologia antecipou a permanência e o impacto da IA e, portanto, vem trabalhando sua incorporação de forma estruturada e criando condições para inovação educacional. A fim de alinhar as estratégias e expectativas, houve uma formação sobre IA com os docentes e funcionários em abril.
“O foco atual é avançar do uso básico para aplicações mais sofisticadas, como agentes de IA personalizados para diferentes áreas do conhecimento”, comentou o Diretor de Tecnologia, Emerson Pereira. Ou seja, a ideia é progredir a partir do que já foi construído, como o Manual de Boas Práticas do Uso de IA e as formações. O Colégio acredita que a transformação digital em sala de aula precisa ser conduzida pelos próprios professores de forma orgânica e, por isso, todos os educadores têm acesso institucional a plataformas de IA, como Microsoft Copilot e Google Gemini Pro, que servem de apoio para enriquecer a experiência educacional.
No encontro mais recente, alguns professores compartilharam atividades que realizaram em sala de aula com essas diversas ferramentas. No 6.o ano, a Equipe de Português ensina os alunos a escreverem prompts, conectando linguagem, clareza textual e letramento digital. Já a Professora de Química Wanda Lucas relatou sua experiência no itinerário eletivo de Saúde e Medicina, em que, em vez do modelo de prova tradicional, os alunos foram avaliados por meio de jogos criados com Inteligência Artificial. Assim, eles aprendem de maneiras diferentes e com maior engajamento.
O Professor de História Diego Franco apresentou dois projetos pedagógicos desenvolvidos com IA. “São iniciativas que ampliam as possibilidades de aprendizagem”, apontou. O primeiro era a reinterpretação visual da Carta de Pero Vaz de Caminha por meio de vídeos gerados artificialmente. A atividade levou os alunos a perceberem que os bancos de dados de IA também carregam valores, discursos, narrativas e preconceitos históricos, mostrando que seu uso exige mediação crítica e repertório humano.
O segundo foi um simulador de políticas públicas na disciplina eletiva Economia, Política e Sociedade Global, da 2.a série do Ensino Médio. Os Professores de História, Geografia e Filosofia desenvolveram uma assistente virtual, chamada Ana, para fazer perguntas, apontar inconsistências, pedir ajustes e ampliar a visão sobre impactos sociais e econômicos. Com isso, os estudantes aprimoraram seus trabalhos com a ajuda da IA e tornaram o processo de criação mais profundo e consistente.
Por fim, Wilton Yoshizava, designer do Colégio, relatou como a Inteligência Artificial transformou os processos de criação visual. Antes, demandas simples de imagem dependiam exclusivamente da área de design e consumiam tempo operacional. Após as capacitações internas, muitos educadores passaram a produzir seus próprios materiais visuais de forma autônoma, o que acelerou a produção de conteúdos para a aula e reduziu as etapas operacionais. “Com isso, nós temos mais agilidade no dia a dia, menos gargalos internos e maior autonomia docente”, finalizou.


