Uma história tediosamente tediosa

Publicado em 06/12/13

Joguei a borracha sorridente para o alto, ela regressou a superfície de minhas mãos que já estavam ásperas de tanto frio. 

O objeto era redondo e azul com um rosto feliz em amarelo. Devia tê-la comprado em alguma papelaria. Eu, na verdade, nem me lembro, simplesmente a encontrei na bagunça do meu quarto. Um dia desses a esqueci no bolso da minha calça e agora ela estava ali, pronta para ser lançada novamente.

E assim foi em um movimento de ida e volta, até que a travessa escapou. Levantei da poltrona instantaneamente e percorri o lugar com os olhos procurando a borracha. Enxerguei um tufo celeste percorrendo em direção a entrada de casa. Não! Iria parar lá fora…

Ela atravessou a porta que se encontrava aberta para que meu pai fosse e viesse trazendo alguns caixotes misteriosos da minha vó.

Provavelmente os eletrodomésticos que esta pediu para que meus pais trouxessem da cidade. Ela prefere muito mais o sítio, com seus arredores verdes e ares praticamente limpos (afinal, até os lugares mais longínquos são afetados por tanta poluição).

“O que está esperando, Vanessa?” meu cérebro questionou. “A temperatura aumentar” repliquei. Respirei fundo, puxei meu casaco de lã até as mãos e fui mesmo não estando pronta efetivamente para suportar aquele frio.

– Que gelo! – exclamei me abraçando em uma tentativa frustrada de aquecimento.

Outro fator contribuiu para o meu mau humor: Onde estava a borracha?

Uma brisa forte balançou meu rabo-de-cavalo me deixando mais fula ainda.

– Pai! – gritei, mas ele não ouviu: o carro estava um pouco longe.

– Papai! – tentei novamente e nada.

Fui para dentro me afastando daquele clima gélido. Me ajeitei novamente no assento.

Ele era bem confortável, sabe? Era belo também… E… E chique, estilo anos XIX. Estamos no século XX e… Bom, é um século legal, apesar de tudo. Me chamo Vanessa… Estou com tédio… I’m bored. Tédio. Estoy con tedio. Tédio! Tédio. Tedioso. Tediosamente. O tédio é tedioso de uma forma tediosamente tediosa. Cansei (você também, não é?) – precisava do sorriso.

Espreguicei e me ergui. Atravessei o vão e fitei a imensidão verde a minha frente: deveria procurar ou esperar até que alguém ou eu a achasse por acaso? Afinal era só uma borracha…

Sentei no gramado pensativa. Ação! Era disso que eu realmente precisava… Era disso que esse texto precisava… Mas agora ele já chegou ao fim.

 

Camila Vasconcelos, 1C2

Compartilhe por aí!
Use suas redes para contar o quanto o Band é legal!