Um mundo de poesia

Publicado em 26/08/13

No segundo bimestre, os alunos dos 9.os anos realizaram, durante as aulas de redação, o Projeto Poesia, que incluiu a leitura e análise de textos de diversos poetas, a confecção de coletânea de poemas, um encontro com o poeta Eucanaã Ferraz e a produção de um trabalho multimídia no laboratório de informática em que os alunos elaboraram poemas a partir de duas temáticas: o tempo e a paisagem.

poesia_2

No final do bimestre, tiveram a oportunidade de registrar suas impressões a respeito do fazer poético ao criarem poemas tendo como tema a metalinguagem.

Os poemas a seguir são uma pequena amostra das impressões desses jovens poetas.

 

12.o jogador

A partida começou
A bola está em campo
Com o time alexandrino
Vestido de vermelho e branco

A bola como caneta
As rimas representam a raça
Haja garra neste jogo!
Aqui, toda a força é massa

Liberdade evasiva
Alegria perpétua
Foi cruzada
Para o atleta

A arquibancada vibra
Por mais um quarteto
É o prazer macio
De um soneto

“Quem marcou?”
O juiz pergunta
E o povo responde:
-Foi o poeta!

Juliana Ignacio de Oliveira, 9C

A imagem é música

A imagem é como música

Que o pintor passa para o papel

Pessoas leves passam

Pela passarela pesada do papel.

Muitas congelando

Outras derretendo.

O sol briga com a lua

Os ventos com a chuva

O pincel desenha sentimentos

As cores da vivacidade

O papel registra

E o pintor administra a orquestra

A imagem é música

Para os olhos

Que me faz sentir vivo,

E faz as coisas ganharem vida

Na pintura do papel.

Luiz Marchetti Neto – 9F

Brincadeira sem fim

Quais peças escolher
Por onde começar?
Nem ao menos sei
aonde vou chegar

Interminável desafio
de esconder um sentido
Mas que jogo é esse
onde não há um objetivo?

Como continuar?
Qual o melhor movimento?
O segredo desse jogo
é desvendar os segredos

Palavras que enganam
Palavras que mentem
Palavras que inventam
Palavras que sentem

Ideias que vêm
Ideias que vão
Nessa brincadeira não há lógica
Apenas emoção

O adversário é sempre o mesmo
E o fim
um mero começo

Isabella Fazzi Markiewicz, 9C

Dança no papel

Palavras não se cansam,
vêm e vão.
Sem consciência
da própria importância.

Aproximam-se, provocantes
Traiçoeiras, enganam.
Palavra esbelta, dançante
Sapatos no piso
exclamam.

Distanciam-se, vagarosas.
Deixam-me só na pista.
Luzes piscam, nervosas.
Melodia roxa como ametista.

Oh, palavra longínqua,
abrace-me novamente.
Conheço-a nua e crua,
mas preciso vê-la novamente.

Isabela Andreotti – 9C

Napoleão das Palavras

Com palavras decidi
Uma batalha travar
Queria desbravar
Uma conquistadora me tornar.

Nessa batalha, perco soldados
Naufragam rimas
Caem redondilhas
Alexandrinos aleijados.

Perdendo a batalha
Quintetos ao chão
Em sinal de rendição
Oras, não sei nem fazer escansão!

Quando acredito
um verso domar
a estrofe parece se render
mas logo volta a atacar.

Dificílima hipérbole
A personificação vem lutar
A antítese ataca
ora aqui
ora acolá.

A pena, aliada, pergunta:
Tens alguma ideia?
Se continuares assim
Perderemos a guerra.

A estratégia final
é escrever algo
antes de tocar o sinal

Mas entrego os pontos
Jogo fora os peões
Afinal na vida
Não há dois campeões.

Ainda confusa
Parto para outra
Quem sabe Matemática?
Ou até mesmo Gramática…

Natália Nara Park Andrade 9°A 

Poesia é como dança

Poesia é como dançar

Do pior ao melhor,

É só praticar.

Com criatividade,

Tudo fica melhor.

Enquanto a vontade,

Cada dia maior.

Para fazer poesia,

Não é preciso razão.

Assim como dança,

É liberdade de expressão.

Basta seguir a melodia.

Tanto na dança,

Como na poesia.

Isabela Mayumi ,   9°A

Vida de Jogador

Como terminar um jogo,
Que não tem fim?
O tabuleiro não termina,
E o jogador desanima.

Contudo um bom jogador
Sabe que para vencer
Deve lutar com o jogo
Para no tabuleiro mexer.

Não critico os jogadores
Pois vida de poeta é assim
Quando tenta jogar novamente,
Muda começo, meio e também o fim.

Pietra Ribeiro Ayello, 9F

Palavra perdida

Palavra dura obscura
Me leva à loucura
Palavra doce colorida
Perdida pela vida.

Insisto e torturo
Mas ela não quer falar.
A palavra perdida,
Onde deve estar ?

Batalha cruel, interminável
Suor e grafite nessa procura
A palavra perdida
Onde deve estar?

Palavra maldita
Que não quer me contar
Onde a bendita deve estar?

Quero a palavra colorida
Para alegrar minha vida
Mas ela não consigo encontrar.

Vencida nessa batalha
Decido terminar
Afinal de contas
Pra que rimar?

Gabriela Maia , 9°G

Esconde-esconde 

Não consigo te achar

Subindo para baixo

Descendo para cima

 Não vejo nada!

 Perguntei à sinestesia

 E disse para olhar a rosa gelada

 Mas lá estava você

 Na gaveta trancada

                       

 A chave estava dançando

  Rindo da minha cara

 Lá se foi ela

 Saltitando, divertindo-se

 À custa do meu esforço

 Ao poema trancado.

 

Julia, n.20 9H

PRISÃO PERPÉTUA

Poesia é linguagem
recursos de imagem
palavras cheias
vazias
de margem.

Palavras salgadas
que o poeta
veta
e quer
aprisionar.
Ó maléfico ser,
que as quer transformar
num dado
num jogo
datado
por um
tempo
Infinito
Indefinido
por séculos
de Abril.

O papel do poeta
enrugou
de tanto tentar
as palavras
alcançar.

Um jogo
sem vencedor
que a caneta
insana
insiste
com ardor
em não escrever
pois sente a dor
do jogo perder
para a próxima palavra.

Alexia Finkelstein, 9F

Compartilhe por aí!
Use suas redes para contar o quanto o Band é legal!