Textos-modelo da prova do 3.o bi: Angelo Schutte e Laura Grombone Guaratini

Publicado em 11/10/18

Como vocês já sabem, na prova de Estudos Linguísticos do 3.o bimestre, os alunos foram convidados a refletir sobre o tema “empatia”. Vejam mais dois textos muito interessantes e profundos, formulados na prova!

Sejamos empáticos

(Laura Grombone Guaratini)

                Intolerância. Desrespeito. Marginalização. Esses são os valores, que na nossa sociedade atual, tomaram o lugar da empatia. A comunhão com o próximo deu vez ao egoísmo e a indiferença tomou vantagem sobre a aceitação. Essas tendências apenas revelam, em grande escala, o que será o nosso futuro neste planeta: uma humanidade desconectada e apática. 

                A falta de empatia como um valor básico inato ao ser humano tem inúmeras consequências negativas para o convívio em sociedade, visto que nessa forma de organização, o zelo pelo bem-estar do próximo é de suma importância para a prosperidade do grupo. Com os inúmeros conflitos, desastres naturais e perseguições que têm marcado essas primeiras décadas do século XXI, o que se esperaria da comunidade internacional é a mobilização para o amparo dos que se encontram em necessidades. No entanto, observa-se exatamente o oposto. A própria saída da Inglaterra da União Europeia revela essa tendência de descomunhão, uma vez que grande parte dos que votaram “SIM” para o BREXIT alegaram que a saída do bloco diminuiria o fluxo de refugiados da guerra da Síria entrando no país, uma postura claramente egocêntrica. 

                Atualmente, muitas pessoas entendem erroneamente que empatia é concordar com a opinião do outro. Essa crença é responsável por muitos acreditarem que ser empático com alguém de quem se discorda é impossível. Equivocadamente, isto acaba gerando ainda mais intolerância. Nesse contexto, a melhor forma de promover empatia é conscientizar a população sobre seu real significado: empatia é, segundo o psicólogo Marshall Rosemberg, reconhecer os diferentes pontos de vista e a necessidade do outro. 

                Adotar uma postura de respeito com as vivências do próximo é extremamente benéfico para combater a situação em que nos encontramos nos tempos modernos. É necessário, para eliminar essas tendências de intolerância, desrespeito e marginalização, acima de tudo, educar. Uma educação que contemple as diferenças e promova a valorização do altruísmo em relação ao próximo é imprescindível para voltarmos a ser um mundo que cria cidadãos que lutam pela igualdade e integração.

Uma humanidade mais humana

(Angelo Schutte)

                É inegável que, na atualidade, a empatia se tornou um atributo raro. As sociedades estão impregnadas por uma perspectiva chauvinista, na qual o outro é visto como adversário, e, portanto, inimigo. Assim, justifica-se toda a opressão, exclusão e guerra. Nesse contexto, apenas a adoção de valores mais empáticos pode elevar a humanidade a um patamar mais digno.

                O filósofo Jean-Jacques Rousseau acreditava que o fundamento do convívio social é a empatia. A identificação com a condição alheia e a compreensão das particularidades que tornam o outro diferente são características instintivas que permitiram que a humanidade, mesmo em seus princípios, sobrevivesse de forma harmônica. Rousseau encontrava um exemplo concreto disso nas sociedades indígenas americanas, que através da compreensão recíproca e da colaboração, viviam em comunidades que não necessitavam de conceitos como “propriedade” ou “Estado”. As divergências eram mediadas pela empatia.

                Porém, no mundo moderno, as civilizações baseadas no egocentrismo se tornaram hegemônicas. Apoiadas sobre a doutrina liberal de que o homem seria naturalmente egoísta, as sociedades contemporâneas perpetuam a ideia de que a empatia é uma fraqueza a ser superada. É no seio destas comunidades que os movimentos mais destrutivos da história da humanidade, como o nazismo e o imperialismo, nasceram, pregando a desumanização do diferente e a sobrevivência do mais forte. Mesmo no mundo contemporâneo, que se acredita mais desenvolvido, esses ideais ainda persistem, por exemplo, na forma da “meritocracia”, que naturaliza a opressão e desnaturaliza a cooperação. O convívio sem empatia só pode ser desarmônico.

                Destarte, é possível perceber que grande parte dos problemas do mundo contemporâneo estão enraizados nas concepções egoístas que fundamentam a ideologia dominante. Analisando exemplos históricos, é evidente que apenas a empatia pode ser o princípio de um futuro mais humano.

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