Textos-Modelo – Aula 8

Publicado em 28/08/18

Abaixo, vocês poderão ler duas produções de colegas, escritas na aula 8, a partir de uma proposta da Unicamp. O Enzo Hayano (3I) e a Gabriela Chan (3F) produziram textos que seriam a base para uma palestra a respeito do fenômeno da Pós-Verdade. Os dois conseguiram, em pouquíssimas palavras (devido ao espaço destinado à Redação, pela Unicamp…), explicar o fenômeno e exemplificá-lo para um suposto público de colegas.

Boas leituras!

        Boa tarde! Meu nome é Enzo Hayano, estudo aqui no colégio e fui convidado pelo Grêmio Estudantil para dar essa palestra sobre pós-verdade para vocês.
Para começar, vocês sabem o que é pós-verdade? Essa palavra é utilizada para descrever mentiras que se tornam verdades para uma certa pessoa devido à sua crença ou ponto de vista.
A pós-verdade vem ficando cada vez mais popular. Essa popularidade se atribui, especialmente, à relação entre “fake news”, redes sociais e, claro, a pós-verdade. Isso ocorre, pois, as notícias falsas veiculadas pelas redes sociais muitas vezes são tomadas como verdades, configurando, assim, uma pós-verdade. Acharam difícil de entender? Então, vou apresentar dois casos em que essa relação ocorreu: antes da eleição de Donald Trump, muitas mentiras, como a de que o papa Francisco apoiava a candidatura de Trump, foram compartilhadas nas redes sociais e acabaram enganando vários defensores do então candidato. A mesma situação ocorreu antes da votação que acabou definindo a saída da Grã-Bretanha da União Europeia, quando “notícias” de que a permanência do país no bloco custava US$ 470 milhões por semana foram cegamente acreditadas por aqueles a favor do Brexit.
Esse cenário de mentiras tornando-se verdades tem graves consequências. Com isso, cria-se uma sociedade em que boatos e notícias se confundem; em que pós-verdades definem o rumo do país.
Espero que vocês tenham entendido sobre o conceito da pós-verdade e as consequências dela em nossa sociedade. Obrigado!

        Boa noite a todos. Primeiramente, gostaria de me apresentar: sou a Gabriela Chan; venho aqui a convite do Grêmio conversar com vocês sobre um fenômeno muito recente: a pós-verdade. Não à toa esta palavra foi escolhida pela Oxford Dictionaries, em 2016, como palavra do ano (“post truth”). O conceito relaciona-se à situação em que a verdade perde o valor, pois os fatos objetivos são menos importantes na formação da opinião das pessoas do que as crenças pessoais; assim, a verdade é que cada um quer acreditar.
Esse fenômeno é amplamente relacionado às “fake news”, as tão conhecidas notícias falsas, que têm aparência de verdadeiras, pois estas se tornam a pós-verdade, e o mundo digital, por assim dizer, as redes sociais que todos nós acessamos todo dia, como o Facebook, o Twitter, o Whatsapp, apenas contribuem para disseminar essas “fake news”, pois, por serem, muitas vezes, compartilhadas por pessoas de confiança, têm a confiabilidade aumentada. Além disso, os algoritmos, base dessas redes sociais, favorecem o isolamento em bolhas, onde cada um possui um “mundo ideal” e as opiniões que aparecem no seu “feed” são apenas aquelas que você concorda com.
Para ilustrar melhor esse cenário atual, darei alguns exemplos: duas das mais graves “fake news”, sendo que uma chegou até a afetar as eleições americanas, foram as de que Obama seria um dos fundadores do Estado Islâmico e de que o Papa apoiava o candidato Donald Trump. Trazendo isso para uma realidade mais próxima à nossa, as próprias eleições brasileiras já estão sendo afetadas, com a disseminação de boatos de diversos candidatos, como os que cercam a investigação Lava Jato, levando, assim, à dificuldade para distinguir o real do falso nas diversas delações premiadas e versões.
Toda essa disseminação de pós-verdades traz consequências graves, já sentidas nas eleições americanas e que estão afetando o mundo todo, entra as quais a principal é a desinformação. Afinal, muitas vezes, não há como saber o que é verdade, além disso, as eleições tornam-se incertas, o que gera, também, uma falta de credibilidade na imprensa. É a concretização da modernidade líquida de Zygmunt Bauman: tudo se torna incerto, mutável, temporário e superficial. E, por fim, as “fake news” podem levar o autor a responder por questões de responsabilidade civil, calúnia, desinformação e até incitação de homicídio, como no caso de 2014, no Guarujá, no qual a dona de casa Fabiane Maria de Jesus foi espancada até a morte por moradores da cidade, após a divulgação de boatos seus de envolvimento em rituais de magia negra com crianças.
E, assim, concluo essa palestra em um apelo a todos para que saibam filtrar e pesquisar antes de apenas compartilhar notícias e demais informações.

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