Textos-Modelo – Aula 1 de ELin3

Publicado em 02/03/19

Caros alunos, abaixo vocês poderão ler dois textos bem legais, sobre o tema “Experimentos científicos com cobaias animais”. Percebam que a Lívia Gondo e o Vinicius Mendes têm teses completamente diferentes entre si! Isso significa que, com um texto bem planejado, com argumentos consistentes, com linguagem clara – e, claro, com respeito! –, é possível defender um e outro lado.

Parabéns à Lívia e ao Vinicius!

A ultrapassada cultura do domínio animal

Lívia Gondo

Desde os remotos tempos em que a medicina medieval abandonou a religiosa proibição quanto à “profana” exploração de cadáveres humanos em nome da Ciência, a humanidade deparou- se com a discrepância não só física, mas também fisiológica entre corpos dos integrantes do Reino Animal. Tal incompatibilidade biológica revela a inadequação cruel e desnecessária que permeia o uso de animais em experimentações científicas e que persiste, indecorosamente, até os dias atuais.

A exploração dos mais fracos é intrínseca à história da sociedade. De forma análoga à exploração escravocrata, em tempos de tráfico negreiro, e aos desumanos experimentos de choque em clínicas psiquiátricas com indivíduos autistas, no início do século XX, o sofrimento de outras espécies que não o Homo sapiens para testes e obtenção de produtos como medicamentos ou cosméticos para benefício exclusivo do ser humano, atualmente, é tão impiedoso e naturalizado no senso comum quanto as situações passadas. A naturalização dessa forma de domínio e exploração sobre os animais advém da ultrapassada necessidade que a falta de recursos para pesquisas ocasionava, no passado, de maneira que se condicionou a sociedade a banalizar inadvertidamente as diversas consequências como mortes, efeitos colaterais perigosos e tóxicos, objetificação e submissão a condições degradantes.

Nesse sentido, apesar de irrefutável a importância desses testes nos avanços medicinais e farmacêuticos, deve- se considerar não apenas a inaplicabilidade e imprecisão de se usarem seres com anatomia e fisiologia distintos do humano, mas também o leque de alternativas possibilitadas com tais experimentos. A promissora área biotecnológica de células-tronco e terapias gênicas para a criação e uso de tecidos humanos, por exemplo, já é uma realidade empregada por empresas farmacêuticas e oferece resultados muito mais confiáveis, bem como eficazes, que poderiam poupar o sofrimento de animais e contribuir para uma prática científica mais ética e consciente.

Portanto, tal qual as sociedades medievais religiosas e escravocratas, devemos nos desvencilhar do senso comum, responsável por perpetuar a cultura cruel do domínio animal, e lutar pela conquista de experimentações científicas livres do uso de animais em prol da eficácia e da justiça.

 

Pesquisa em animais – ética e eficiência

Vinicius Esteves Mendes

Em 2013, um grupo de ativistas invadiu um laboratório de pesquisas farmacêuticas em cachorros e retirou-os do instituto. Esse tipo de experiência é justamente uma das maiores discussões no âmbito científico dessa década: é ética a pesquisa em animais? E, se for, o quão eficiente é este meio para o teste de drogas? Com base em anos de pesquisas em animais e opiniões de especialistas no assunto, pode-se compreender que esse método de trabalho é ainda a melhor maneira de testar novas drogas.

É importante ressaltar que as experiências com animais são plenamente éticas. A começar que mesmo Dalai Lama reconhece que, enquanto as perdas são em curto prazo, os benefícios são diversos a longo prazo, mostrado que uma das maiores autoridades éticas mundiais aprova esse tipo de pesquisa. Além disso, dois dos princípios fundamentais desse método de pesquisa são os de reduzir e substituir, ou seja, utilizar o menor número de animais possível e sempre buscar pela não utilização destes, respectivamente.

Ademais, de acordo com Michael Cohn, médico americano que lida com experimentos em animais, a eficiência desse tipo de pesquisa vem crescendo ao passar dos anos. Foi graças a trabalhos com seres vivos que se desenvolveu a cultura de células, um dos métodos defendidos pelos opositores de Michael e de outros cientistas que testam em animais.

Além disso, há pessoas que dizem que os computadores poderiam substituir a necessidade do uso animal, mas essas máquinas só funcionam porque analisam os dados provenientes dos próprios indivíduos pesquisados. Portanto, é possível dizer que a experimentação em seres vivos é ainda necessária mesmo em processos altamente tecnológicos, como teste de alternativas em computador.

Finalmente, pode-se afirmar que tanto eticamente como praticamente, a experimentação em animais continua sendo a forma mais viável possível, gerando benefícios para a medicina e para os seres humanos.

 

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