Textos-Modelo: a imagem da mulher na atual sociedade brasileira (Julia Suave e Marina Gasparetti)

Publicado em 09/05/19

Em nossas aulas 3 e 4 de ELin3, trabalhamos o tema “a imagem da mulher na atual sociedade brasileira”. Abaixo, vocês poderão ler duas ótimas produções, das colegas Julia Suave (3E) e Marina Gasparetti (3G). Elas falam sobre machismo, inferiorização da mulher, violência, em análises bastante profundas e embasadas.

Boa leitura!

Limitação versus libertação – a luta da mulher diante de sua imagem

Durante muitos séculos, o patriarcado instaurou a cultura de inferiorização da mulher, cercando-a por estereótipos e definindo um modelo de beleza e comportamento a ser seguido. A fim de lutar contra esse problema, indubitavelmente a Revolução Feminista, que chegou ao Brasil em meados do século XX, trouxe voz à população feminina para denunciar todas as formas de dominação que o machismo impõe diariamente, e abriu espaço para que as mulheres pudessem participar ativamente em contribuições para os avanços da sociedade. Entretanto, apesar do grande progresso, o Brasil está distante de possuir equidade de gênero e a imagem da mulher continua deturpada.

A visão da sociedade sobre a mulher tem mudado positivamente ao longo doa anos. Consequentemente, isso possibilitou sua inserção no mercado de trabalho, inclusive em profissões que foram consideradas por muito tempo exclusivas dos homens, como a Engenharia, Ciência, Política e o Direito. Essa representatividade é fundamental para enfraquecer a visão de incapacidade da mulher, enraizada pela sociedade machista patriarcal, minando pouco a pouco a discrepância entre os gêneros, ao igualar homens e mulheres no que se refere à intelectualidade.

Contudo, apesar do grande avanço no que tange à ocupação da população feminina no meio social e, assim, em sua imagem, a violência contra a mulher, incluindo o feminicídio, é um enorme problema e persiste por um fator fundamental: a manutenção do machismo na sociedade brasileira. O ideal de submissão aliado ao conservadorismo – que ganha cada vez mais representatividade e destaque no meio político e na mídia – é responsável pelos números preocupantes de agressões vividas diariamente pelas mulheres. Portanto, mesmo que se torne independente e possa conquistar grandes cargos, a população feminina ainda é erroneamente objetificada por homens, evidenciando o sentimento de posse e poder que o machismo prega.

Portanto, inegavelmente o processo de desconstrução do patriarcado é uma tarefa árdua e diária, no qual a população feminina resiste dia após dia contra a opressão e deturpação de sua imagem. É fundamental que haja conscientização, sobretudo dos jovens, sobre a equidade de gênero, para que possamos, ao longo dos anos, estabelecer uma sociedade livre de preconceitos e violência, na qual a mulher se sinta respeitada, valorizada e segura. Sendo assim, o principal meio para que isso ocorra é a representatividade, impulsionando a equidade.

Júlia Suave

 

A imagem da mulher na sociedade brasileira contemporânea

Ao longo dos anos, o movimento feminista fez diversas conquistas na luta pela igualdade de direitos entre os gêneros. Atualmente, as mulheres têm presença marcada nos meios acadêmicos e no mercado de trabalho e seus direitos são garantidos no plano jurídico. Contudo, apesar desse quadro positivo, ainda se vê muita violência e preconceito contra esse grupo que compõe metade da população nacional. Isso se dá porque a imagem da mulher na sociedade brasileira contemporânea é altamente estereotipada e inferiorizada, devido a um machismo que segue enraizado na cultura do país.

Primeiramente, é fundamental considerar o papel da história do Brasil para essa discussão. Infelizmente, quando se pensa na forma como ela é contada hoje, pouquíssimas mulheres são lembradas por terem deixado suas marcas. Ao contrário dos homens, que sempre aparecem como agentes, elas são citadas meramente como personagens secundárias, normalmente confinadas ao ambiente doméstico e negligenciadas. Obviamente, essa falta de representatividade não anula a participação histórica de um grupo tão expressivo, porém a falta de exemplos de mulheres fortes contribui para a construção de uma imagem fraca e minimizada para as pessoas do gênero feminino, pois as mostra como se fossem irrelevantes e incapazes de grandes feitos.

Não só na história, como também na mídia, essa parcela da população é posta de lado, dificilmente tendo a posição de maior destaque. Os brasileiros consomem, em média, 5 horas de televisão por dia, e, durante esse tempo, absorvem uma infinidade de comerciais e conteúdos que montam a figura das mulheres. Constantemente, representam-se pessoas do gênero feminino de forma sexualizada, objetificada, banalizada. Assim, os estereótipos que fomentam o machismo são perpetuados e os preconceitos já existentes em muitos espectadores são validados.

De qualquer forma, vale ressaltar que nem tudo está perdido, uma vez que, cada dia mais, o movimento feminista avança em sua labuta. Atualmente, as mulheres podem ter participação política, têm leis que as protegem de crimes como o feminicídio, podem contar com as múltiplas delegacias da mulher e são livres para protestar contra qualquer injustiça que lhes for imposta. Tudo isso só comprova que o problema não está na teoria, mas sim na prática, em que as mulheres continuam sendo oprimidas diariamente, no país que é o 5° no mundo com o maior número de assassinatos a mulheres por causa de questões de gênero.

Concluindo, apesar dos progressos na luta pela equidade nas últimas décadas, as mulheres seguem sofrendo discriminação em diversos aspectos de suas vidas, como sempre foi na sociedade brasileira. Embora a constatação de que o machismo continua vivo na cultura nacional seja lamentável, é necessário que ela seja feita de modo a mudar a imagem atual desse grupo oprimido e dar os próximos passos no caminho para a igualdade.

Marina Küller Gasparetti

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