Textos-modelo – 1a prova bimestral (Gustavo Callado, Lívia Gondo, Marina das Neves)

Publicado em 14/05/19

“Você é um estudante de medicina, responsável pelo jornal do Grêmio de sua faculdade, e resolveu publicar nele a reportagem abaixo […].  Motivado pelo debate acadêmico que o assunto gerou e a partir das informações que acessou, você resolve escrever o editorial da próxima edição do jornal do Grêmio sobre os impactos da medicina digital.”

Com essa proposta em mãos, todos os alunos tiveram de formular editoriais.

Vejam, abaixo, as produções muito especiais de Gustavo Callado, Lívia Gondo e Marina das Neves!

 

Tecnologias duvidáveis
(Gustavo Callado)

          Nos últimos dias, o Grêmio percebeu que um assunto bastante polêmico tem dominado as rodas de discussão entre alunos e professores da São João: a saúde digital. Com a popularização das tecnologias digitais, cada vez mais surgem novos serviços e produtos que visam à melhoria da qualidade de vida das pessoas. Sem embargo, algumas dessas novidades são lançadas de maneira precipitada e inconsequente, como é o caso da medicina digital.
          Primeiramente, é válido ressaltar o quanto podem ser danosos a popularização e o uso dessa “medicina”. As novas técnicas desenvolvidas, por não serem sempre planejadas por especialistas, poderão apresentar ao paciente diagnósticos superficiais e, até mesmo, irreais. Além disso, muitas pessoas acomodar-se-ão diante da possibilidade de consultar-se em suas casas por baixo custo e deixarão de tratar-se com médicos especialistas. Dessa maneira, vê-se que aquilo que foi idealizado para ajudar acaba se tornando um empecilho para o tratamento efetivo de doenças e, de maneira consequente, para a melhoria da qualidade de vida das pessoas.
          Diante do exposto, é preciso que nós, médicos e futuros médicos, nos empenhemos para amenizar os possíveis efeitos negativos da medicina digital na sociedade. Projetos visando ao desenvolvimento de tecnologias seguras, mas baratas e acessíveis, devem ser trabalhadas em nossa São João e divulgadas no meio acadêmico. Ademais, é necessário um ávido trabalho de conscientização popular para que novidades como a do americano Rothberg, abordada no Voz da São João da semana passada, não sejam utilizadas sem a garantia de sua efetividade e segurança.
          Conclui-se que nós, futuros profissionais da saúde, devemos fazer uso de recursos já testados e confiáveis, além de ficar atentos às novas técnicas que são desenvolvidas sem base médica e que podem ser prejudiciais à população. Sabemos o quando é rígido o estudo da medicina e que quando nos formarmos seremos recompensados cuidando de vidas. Não podemos deixar que pseudodoutores coloquem em risco a saúde da população em geral.

 

A saúde digital eficazmente moderna
(Lívia Gondo)

          As inovações tecnológicas na medicina, ao longo da história, conceberam ao médico instrumentos de eficácia inimaginável quando comparados ao primitivismo que tolhia a capacidade do médico de ajudar seus pacientes desamparados de outrora. O raio X, a tomografia e a ressonância são exemplos da luz com a qual a tecnologia iluminou a prática. Atualmente, contudo, as inovações digitais estão ultrapassando a linha tênue entre benefícios e malefícios e inclinando a prática diagnóstica ao erro e à irresponsabilidade por meio da tentativa inconsequente de “democratizar” a saúde.
          A saúde digital é o ramo altamente lucrativo que emprega a tecnologia na criação de aplicativos, chips e dispositivos de rastreamento ou coleta de dados do corpo humano. É uma tecnologia revolucionária quando se trata de conferir ao consumidor uma esperada autossuficiência e independência de serviços médicos ou idas ao hospital. Afinal, por que confiar no profissional que dedicou anos de sua vida à formação e especialização médica quando meros dispositivos podem, por exemplo, obter um raio X sem que o indivíduo precise sair de casa? Essa é a chamada “democratização” da saúde que promete o acesso da população a serviços que antes eram exclusivos de hospitais e médicos.
          Entretanto, apesar de ser uma ideia tentadora, não se pode ignorar um risco que ela inadvertidamente potencializa: a tendência intrínseca da espécie humana ao autodiagnóstico. O “Dr Google” ilustra como uma ferramenta online de conteúdo infinito tem sido há décadas amplamente utilizado em diagnósticos questionáveis. Segundo o British Medical Journal, numa análise de 23 sites relacionados à saúde, apenas 34% dos casos obtiveram acerto no diagnóstico. A “democratização” da saúde por meio de dispositivos tecnológicos que possibilitem o moderno auto exame é, nesse sentido, irresponsável quando dá respaldo à confiança ingênua de pacientes no autodiagnóstico, induzindo a possíveis erros e a consequências imprevisíveis à saúde de um paciente que deliberadamente não consulta um especialista confiável.
          Torna- se evidente, portanto, a necessidade da atenção vigilante quando se trata dos avanços na medicina digital. Visto que a proposta democratização da saúde por esse ramo pode seduzir o consumidor de forma irresponsável, a conscientização da população leiga é imprescindível. Os futuros médicos devem, portanto, prevenir amigos e familiares. Ademais, compete à faculdade realizar campanhas em postos de saúde ou hospitais que atentem a população quanto aos novos riscos dessa medicina revolucionária associada à confiança ingênua da sociedade no moderno auto exame, reforçando a indispensabilidade da consulta médica. Dessa maneira, a prática diagnóstica poderá ser direcionada ao genuíno progresso mediante as inovações na medicina digital.

 

Saúde digital é um grande negócio?
(Marina das Neves)

          Se qualquer dor for sentida, basta ir ao Google pesquisar os sintomas com palavras-chave e pronto: em menos de um minuto, já é diagnosticada a doença. Há também vídeos que ensinam a suturar e explicam patologias, além da inteligência artificial que está sendo desenvolvida para os hospitais, por exemplo. Porém será que disponibilizar e compartilhar conhecimento médico online está atrapalhando tanto quanto ajudando as pessoas que buscam essas informações?
          Obviamente, democratizar o saber e permitir que os indivíduos pesquisem sobre o que acreditam ter é importante, pois esse processo incentiva, inclusive, que essas pessoas busquem um médico para tirarem dúvida. Além disso, o próprio médico tem em suas mãos, com esse acesso facilitado a informações médicas, o apoio para pesquisar um caso que lhe é inusual e chegar a um diagnóstico mais completo.
          Entretanto, a medicina digital está sendo abordada com outra visão de que ela por si basta na análise médica, e não que essa informação seja complemento de uma avaliação especializada. Hoje em dia, já se fala em dispositivos digitais capazes, sozinhos, de analisar sintomas de alguém; todavia, um ser humano, que possui cérebro e sentimentos deixa o paciente em tratamento mais confortável ora pelo diálogo, ora pela cautela ao falar sobre a doença que afeta a pessoa. Ademais, segundo o texto “Saúde digital é o melhor negócio” (BBC), pessoas que sofrem de condições raras podem ser prejudicadas pela Inteligência Artificial, devido à escassez de dados. Além disso, quando o assunto é internet, logo que se pensa na possibilidade de hackeamento de dados ou manipulação, visto que o “universo hacker” cresce, podendo afetar a precisão das informações.
          Em suma, é cedo para “bater o martelo” sobre a medicina digital, porque muitos testes ainda estão sendo feitos para afirmar a competência dela. De fato, é um mercado promissor que vem a gerar empregos. Mas toda moeda tem dois lados, assim como na saúde digital há prós e contras. O importante é ter claro em mente que o conteúdo online precisa estar unido aos médicos “reais”, pois inclusive são eles que fornecem conhecimento para que as máquinas funcionem corretamente.

 

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