Texto-Modelo da aula 5 (Cotas raciais nas universidades brasileiras) – Daniela Politi

Publicado em 10/06/19

Aqui vocês poderão ler mais um ótimo texto escrito em nossa aula 5. Vejam que a Daniela Politi, nossa colega da turma 3F, defende de modo bastante contundente que “As cotas raciais, apesar de não figurarem como solução isolada, surgem como medida essencial na diminuição do abismo social existente entre brancos e negros no Brasil”.

Parabéns, Daniela! Ótimo trabalho!

 

Planejamento futuro

A indiscutível desigualdade racial existente no Brasil mostrou-se responsável por estimular intensos debates acerca de possíveis medidas de inclusão de negros no ensino superior público. As cotas raciais, apesar de não figurarem como solução isolada, surgem como medida essencial na diminuição do abismo social existente entre brancos e negros no Brasil.

A disparidade racial brasileira possui caráter histórico e seus impactos explicitam-se diretamente no sistema educacional. Em razão dos aproximados quatrocentos anos de escravidão, a população negra permaneceu em situação de privação completa de direitos básicos, incluindo a educação. A abolição da escravatura, entretanto, não se mostrou minimamente eficiente na inclusão de negros no sistema educacional, uma vez que, impedidos de ocupar empregos dignos em razão do preconceito racial, adultos pertencentes a esse grupo tampouco tornaram-se capazes de proporcionar ensino de qualidade a seus filhos. Tal fato mostrou-se responsável por perpetuar a deficiência educacional entre os afrodescendentes, que passaram a representar uma minoria dentro das universidades brasileiras.

Dessa forma, com o principal objetivo de alterar essa estrutura desigual, surge a política de cotas raciais. Tal medida, ao reservar vagas a estudantes negros que completaram o ensino médio na rede pública, mostra-se capaz de aumentar exponencialmente a quantidade de afrodescendentes no ensino superior. Em conjunto com intensos investimentos no ensino público de base, as cotas raciais serão responsáveis por proporcionar maior mobilidade à comunidade negra, uma vez que a inclusão no sistema universitário representa não somente a oportunidade de inserção de forma digna no mercado de trabalho, como também a melhora das condições dessa população como um todo, visto que a educação consiste no principal meio de ascender socialmente no Brasil.

Logo, as cotas raciais, apesar de não poderem ser empregadas como medida isolada e, tampouco, eterna, devem existir de maneira temporária. Não é possível ignorar a desigualdade histórica e enxergar o mérito como único fator determinante no acesso ao ensino superior.

 

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