Texto-Modelo – aula 11 de Estudos Linguísticos 3 (Unicamp – 2019)

Publicado em 14/10/19

A seguir, vocês poderão ler alguns abaixo-assinados produzidos em nossa aula 11 de ELin3. Vejam que eles são tão verossímeis, que poderiam existir na “vida real”. Aliás, essa verossimilhança, essa adequação extrema à situação comunicativa dada pela proposta, é um fator importante a ser seguido pelos vestibulandos da Unicamp, que sempre oferece propostas de gêneros diversos, com situações de comunicação bastante bem marcadas. Nesse caso, a situação comunicativa era de “um acontecimento revoltante na sua escola: sua professora de Filosofia recebeu ofensas e ameaças anônimas por suposta tentativa de doutrinação política, ao ter iniciado o curso sobre as origens da Cidadania e dos Direitos Humanos”.

Boas leituras!

 

Júlia Suave (3E)

Abaixo-assinado à direção do colégio estadual Godofredo Furtado – pela defesa da liberdade de expressão

         Por ter iniciado o curso sobre origem da cidadania e Direitos Humanos, a professora de filosofia Rosa Almeida foi acusada de doutrinação política e recebeu graves ameaças. Diante dessa absurda tentativa de opressão e silenciamento de uma docente íntegra e responsável, que incentiva e auxilia a construção de um senso crítico plural e uma educação diversificada, vimos por meio deste reivindicar o posicionamento público da diretoria em defesa da professora Rosa e a manutenção das aulas que tematizem os Direitos Humanos no cronograma da disciplina de Filosofia.

         “O maior crime cometido a uma pessoa é a tentativa de frear seu livre pensamento”. A frase do filósofo Teócrito de Corinto expressa a crucialidade da liberdade de expressão para a construção do ser humano enquanto indivíduo e se opõe fortemente à tentativa de silenciamento, uma vez que resulta em violência, opressão e tirania – produtos da ausência de senso crítico. Dessa forma, entende-se que a autonomia do pensamento é um elemento fundamental para a construção de uma sociedade pacífica, tolerante e respeitosa e, por isso, é um direito resguardado pela Constituição Brasileira (artigos 1º ao 4º). Assim, a escola, por meio da educação, deve promover esse direito fundamental, garantindo um espaço democrático no qual estudantes e professores possam se expressar sem medo e sem nenhum tipo de censura. Infelizmente, o episódio de perseguição da professora Rosa Almeida unicamente por estimular a reflexão sobre a realidade na qual os alunos estão inseridos se opõe à lei e à função primordial da educação: formar seres autônomos, sobretudo intelectualmente. Desse modo, exigimos a manutenção das aulas de Filosofia que tematizem os Direitos Humanos, uma vez que conscientiza os alunos de seus próprios direitos e nos ensina a conviver respeitando a diversidade na coletividade. Não há qualquer tipo de doutrinação nas aulas da professora Rosa, pois ela somente ensina seus estudantes a questionar – cumprindo, assim, o papel primordial da construção do senso crítico, visto que não é sobre dar as respostas, mas ensinar a fazer as perguntas certas.

         Ademais, é crucial que a diretoria do colégio Godofredo Furtado se posicione publicamente a favor da professora Rosa Almeida diante das graves ameaças recebidas, pois além de ser imprescindível que a docente receba apoio, essa situação revoltante de difamação e tentativa de censura pode prejudicá-la imensamente em sua vida profissional.

         Em suma, nós, alunos da instituição estadual Godofredo Furtado, gostaríamos de expressar nosso total apoio à professora de Filosofia Rosa Almeida e reivindicar que a diretoria se posicione a favor dela e mantenha as aulas de Direitos Humanos, a fim de viabilizar um espaço educacional plural e democrático, estimulando portanto uma coletividade livre e justa.

 

Carolina Yuka Nakada (3I)

À diretoria:
         como estudantes do colégio e alunos da professora Daniela, nós, a turma X do terceiro ano, ficamos indignados com a falta de manifestação por parte da direção no que tange ao ocorrido de sexta-feira. É lamentável que uma docente sofra ataques por simplesmente tentar nos formar como cidadãos, ensinando matérias cruciais para tal finalidade, e não seja apoiada pela direção de sua própria instituição.
         O fato é que as aulas sobre Direitos Humanos são essenciais para evitar a doutrinação dos alunos como cidadãos, ao contrário do que foi indicado pelo anônimo, autor das ameaças e ofensas à professora Daniela. Ao conhecer as origens da Cidadania, os alunos compreendem a importância do pensamento crítico, não aderindo passivamente às opiniões políticas que se passam como verdades absolutas. Nós aprenderíamos a avaliar se estamos diante de um governo justo, se devemos aceitar determinadas situações políticas ou não. Como o próprio Teócrito afirmava em seu texto apresentado na aula de Daniela, a ninguém foi dado o poder de impedir aos homens o exercício do pensamento. Portanto, devemos aprender a identificar se a força externa está tentando nos impedir de pensar.
         Por outro lado, se a diretoria permitir que a nossa professora se desanime e não nos passe todo o conhecimento necessário para a nossa formação, então correremos risco maior de não identificarmos os nossos direitos como cidadãos no futuro, se eles forem violados em alguma ocasião. Poderíamos, ainda, ser facilmente controlados por influenciadores de má fé, se não tivermos a capacidade de julgar.
         Portanto, reivindicamos, por meio desde abaixo-assinado, que a escola se manifeste em defesa da professora Daniela. Além disso, exigimos que haja manutenção das aulas que tematizem os Direitos Humanos, tão importantes para a formação.

Aguardamos providências.
São Paulo, 25 de setembro de 2019.
Turma 3X

 

Eduarda Queiroz (3F)

Cara diretoria da Escola Marco Fontes
         Nós, alunos da Escola Estadual Marco Fontes, escrevemos em virtude do acontecimento ocorrido na última quinta-feira, em que nossa professora de Filosofia foi vítima de ofensas e ameaças incrédulas em decorrência de suposta tentativa de doutrinação política. Assim sendo, aguardamos um posicionamento público em defesa da docente por parte da instituição, além da manutenção das aulas de Filosofia que tematizem os Direitos Humanos.
         É primordial que a escola se posicione em defesa de nossa professora, visto que considerar a aula que tivemos sobre as origens da Cidadania e dos Direitos Humanos modernos como forma de doutrinação política, caracteriza uma visão completamente errônea e limitada do curso. O texto lido em sala, “Teócrito e o pensamento”, apenas defende o pensamento como o mais essencial atributo humano, afirmando que a tentativa de limitá-lo é o pior crime que se poderia cometer contra a humanidade. Nota-se, portanto, que não é feita nenhuma referência direta ao Brasil ou à atual situação política do país, sendo apenas enfatizada a importância do livre pensamento, que justamente não fora assegurado à docente, dadas as ameaças e ofensas desumanas que lhe foram direcionadas.
         Ademais, é necessário que sejam mantidas as aulas de Filosofia que tematizem os Direitos Humanos, uma vez que compreendê-los é uma forma de garantir que sejam plenamente respeitados. No mundo contemporâneo, mesmo que poucas vezes identifiquemos regimes totalitários e despóticos que promovam a supressão dos Direitos Humanos, ainda existem outras inúmeras situações de guerra, desigualdade e terrorismo que o fazem, e cabe a nós, futura geração, utilizar nosso conhecimento de modo a cessar tais ocorrências.
         Logo, considerando o ponderamento da diretoria da Escola Estadual Marco Fontes, contamos com um posicionamento público por parte da instituição aguardamos que medidas sejam tomadas para a manutenção das aulas de Filosofia.

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