Relato de viagem – descobrindo Anne Frank

Publicado em 02/10/13

A aluna Catarina de Lima Alvarenga, 8F, relata como foi sua experiência em Amsterdã, ao conhecer o local onde Anne Frank e outros judeus buscaram refúgio durante perseguição nazista, tema explorado durante a leitura do livro O menino do pijama listrado, durante o 3o. bimestre.

Quem nunca ouviu falar sobre Anne Frank? Aquela menina judia, uma menina comum para os dias atuais, como todas de sua idade, porém não naquela época, em plena segunda guerra mundial. Anne tinha um diário, nele deixava escrito tudo o que acontecia, todos seus pensamentos, que de uma hora para outra mudaram. De dias de escola para dias trancada num espaço muito pequeno onde ficavam  mais de uma família, sem saber o que aconteceria a cada dia, sem saber quando tudo acabaria e se um dia acabaria…

Nessas férias de julho,  eu visitei a casa da família Frank, que hoje é um museu. Quando se chega lá, a rua é típica de Amsterdã, até que se vê uma fila enorme. A fila segue até o museu de Anne Frank. Após um tempo de espera, entro no lugar com um guia na mão onde tem muitos detalhes sobre toda a história do lugar. Admito que no começo não me interessei  em visitar um lugar como esse, mas meu pensamento mudou ao entrar.  Repentinamente, um interesse me domina e leio cada informação grudada nas paredes, no guia (em português) que vejo.  Há trechos do diário de Anne  nas paredes, vídeos relacionados com o tema da segunda guerra, explicações em cada lugar por onde passo. No começo é um lugar simples, só um pouco deprimente, mas no andar de cima aparece uma estante muito velha que está lá há muitos e muitos anos e, depois dessa falsa parede as coisas mudam. A casa vira um lugar apertado, escuro, abafado. Sim, cheguei ao local do esconderijo, o refúgio de alguns judeus em tempos de guerra, quando  judeus não podiam sobreviver.

Somente um grupo pequeno de pessoas entra por vez.  Nas paredes, continuam frases do diário, frases que me fizeram sentir como se eu estivesse lá naquela época, frases que quase me fizeram chorar, pois soube que se eles fossem percebidos,  estariam mortos. Lembro – me de uma parte que dizia que não podiam usar água (por exemplo, tomar banho) em qualquer momento para não fazer barulho. No guia dizia que naquele lugar havia camas e explicava onde cada pessoa dormia. Numa parede tinha um mapa com alfinetes, que mostrava onde a Alemanha estava invadindo, para se saber mais ou menos quando tudo acabaria. Quando passei pelo “quarto” de Anne Frank senti um frio percorrer o meu corpo, então era ali que ela dormia, ali que passou anos presa, aquele lugar me fez sentir uma tristeza enorme. As paredes eram cobertas de pôsteres de pessoas famosas, e vendo as paredes dava para perceber que Anne amadureceu no tempo em que lá ficara.

Na próxima parte tinha o banheiro e a “cozinha”, e a escada para o sótão, onde Anne se “divertia”. Passar por todo aquele lugar, me fez amadurecer também, pois aqueles foram anos horríveis para todos, porém eles não desistiram, estar naquele lugar me fez pensar e refletir sobre toda a história do mundo, relacionar tudo aquilo com a minha vida. Após passar pelo esconderijo, entro em um anexo. Lá tem informações sobre o fim daquela história. Ao ler, sinto uma raiva dominando meu corpo, como existem pessoas más nesse mundo. Sinto uma lágrima escorrer quando vejo um vídeo de um campo de concentração, quando vejo o nome de cada pessoa que morreu. Ao mesmo tempo sinto- me grata pelas boas almas que ajudaram aqueles refugiados, a sobreviverem por tanto tempo.

Assisto a uns vídeos de conhecidos das famílias que ficaram na casa, sinto uma tristeza enorme quando vejo o vídeo do pai de Anne onde ele fala que a filha o fez prometer que nunca leria seu diário, ele fala da surpresa que teve ao ler o diário e ver uma mente diferente daquela que ele conhecia. Finalmente, ali está o tão conhecido diário de capa vermelha, tão cheio de histórias, pensamentos. Na parte final do museu, há vídeos polêmicos atuais, que mostram problemas que enfrentamos hoje  e nos fazem refletir sobre quem está certo ou errado no mundo. Além desses vídeos, há fotos de Anne em vários momentos da vida, antes dos anos que passou escondida.

Esse é o final da minha experiência, que vou levar para toda a vida, que me uma pessoa diferente ao sair de lá, e posso confirmar que ninguém sai do museu a mesma pessoa que entrou.

 

Catarina de Lima Alvarenga, 8F

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