O lado esquerdo da escada

Publicado em 19/05/14

Sou apressado, sou pressionado, sou acostumado.

Acostumado à pressa, a pressão, a falta de educação.
Educação formal, cidadania nas ruas, consciência política.
Sou paulistano.

Paulistano apressado, vivo em cima da hora.
Mas nunca deixo de ser educado, nem de ser gentil.

Exceto com quem merece minha falta de educação.

Há pessoas que me irritam profundamente.

Gente folgada e/ou mal educada.

Ando de Metro. Vive lotado, é um caos.

Ultimamente as pessoas tem se organizado, tem brigado menos no entra e sai.
Mas tem sempre alguém que fica na porta sendo que não vai descer. Que para na esquerda da escada rolante quando todos estão andando nela.

A regra é clara, até está adesivada em boa parte das escadas:
“Deixe a esquerda livre”

Mas tem sempre alguém que para nela. Pra conversar, mexer no celular ou simplesmente parar.
Alguns dirão “Porque a pressa?” ou “Saia mais cedo de casa?”

Acreditem, eu faço isso. Mas o Metro dá pau quase todo dia, que culpa tenho se ele me faz correr o risco de perder a primeira aula?

Aí corro. Por isso vivo apressado. Cada vez mais, saio mais cedo. Mas é Metro, greve, protesto, transito…
Sempre há algo que me atrasa.

Por isso vivo apressado.

Se você não tem pressa sorte a sua, mas não complique a vida dos outros. Deixe quem tem pressa passar.

Deixe o lado da esquerda da escada livre.

Hoje o Metro atrasou (de novo mais uma vez novamente quase como sempre). Desci na minha estação as 6:53. Minha aula começa as 7:05, mas gosto de chegar antes para pegar lugar na frente. E a escola fica a 10 minutos da estação.

Eu estava atrasado. Não só eu, vários estudantes. Andando ordenadamente pela esquerda da escada. Até que uma mulher parou. E ficou. Conversando com o homem que a acompanhava. Ele percebeu a pressa dos estudantes atrás dela. Pediu para ela ficar na frente dele, à direita. Ela se recusou. A garota na minha frente pediu licença educadamente. A moça fingiu que não ouviu. Reforcei o pedido. Ela não se moveu. Eu e a garota repetimos o apelo. Ela se recusou a andar, disse “Não”.

A garota não teve dúvidas, empurrou a mulher e passou entre ela e o homem. Eu fui atrás. Fiz questão de também passar. Fiquei com uma vontade enorme de empurrá-la também, mas me contive. Empurrar alguém vai contra minha cidadania. Exceto se me empurrarem primeiro. Mas espero que essa mulher aprenda a se portar e a ser uma cidadã decente, porque se dependermos de gente como ela estaremos todos ferrados…

Ah, e se ela travar a escada e for mal educada de novo, que não tenha dúvidas, eu mesmo vou empurrá-la e passar.

Não custa nada deixar a esquerda livre, facilita e ajuda a todos.

Hoje você não tem pressa, mas e quando tiver?

 

Thomas Tyn Chow Wang – 02/04/2014 (ex-alunos/2013)

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