O início da insônia

Publicado em 23/09/13

É possível perceber

O início da insônia

Com clareza absoluta.

 

No escuro, a mente acende

No silêncio, ela fala,

Fala fala mais que a boca

Ecoa, te deixa louca, oca.

 

A respiração encurta

O corpo vira na cama

A cabeça gira inquieta

Perde a calma, é só escuta.

 

O primeiro pensamento

É o epicentro

da pedra atirada ao lago

As ondas que reverberam

São o ene-pensamentos

Desdobrados.

 

O primeiro pensamento

É o primeiro da progressão

Que não é só geométrica:

É caótica.

 

A mente é casa do caos,

Casa do cão

de guarda de mil cabeças

Disputando o mesmo osso

Infinitesimal.

 

O cérebro é labirinto

Da besta desocupada,

O cérebro é intestino

Da matéria não purgada,

O cérebro é enorme noz

De goma mais que mascada.

 

É possível perceber

O início da insônia

Mas seu fim nunca se sabe

O que constitui na vida

A experiência única

da eterna eternidade.

Marise Hansen

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