O breve vate

Publicado em 29/04/13

 

lateja no peito a lantejoula já rasgada,
que neste clima de festa já acabada
deixa reluzir o último fio de luz que lhe cega.
os olhos também latejam, mas deliram,
as imagens que se projetam nunca cessam
as memórias dos que em noite riram.
nos dedos correm as gotas do vinho inacabado
que gira no copo e volta sempre ao meio,
mas que se derrama e envolve, frio, o anseio.
de que se vale a festa se a própria se revolve
implorando que a mate?
e o que sobra ao seu final, se não
as breves palavras de um breve vate
que não soube curtir a festa, mas esteve até o fim?
mas vem a luz que o abraça,
e a fantasia corroída pelas traças revela seu peito nu
recoberto do vinho derramado, do sonho delirado,
do choro acobertado.
eis que o breve vate vai enfim ao fim da festa.

 

Flávia Odenheimer – 3B2

 

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