Muros inseguros

Publicado em 14/04/14

Tem gente que não fala com quem é 60 anos mais velha. Tem gente que não fala com quem pensa diferente. Tem gente que não fala com quem vive em uma realidade totalmente inovadora. Tem gente que só fala com seus “iguais”.
A verdade é que a gente cria muros ao redor de si; impede o mundo de ver a gente, impede a gente de ver o mundo. E aí nos limitamos a falar com quem pintou o muro da mesma cor que o nosso, na mesma época e com o mesmo estilo. E estes serão nossos amigos. Mas existe tanto muro diferente por aí: muro grafitado, muro de tijolo, muro colorido, muro furado, muro de cimento, muro diferente do nosso que é um pouco decepcionante conhecermos só muros como os nossos… Seria mais legal conhecer outros muros. E com o tempo, reformar o nosso próprio muro; tijolos unidos ao cimento e a pedras, grafites unidos a hieróglifos. Depois construir uma janela, uma porta, e por fim destruí-lo por completo. Abandonar de vez os muros, mesmo que redecorados, e deixar de conhecer muros pra conhecer gente. Gente colorida, gente grafitada, gente feita de amor, saudade, alegria, tristeza, gente feita de tudo junto. E virar gente do tipo mais lindo e único possível. Virar gente que ama gente. Que se interessa por gente. Que vive por causa de gente. Gente que destrói muros e constrói pontes. Gente que se diverte falando com alguém que nasceu mil anos atrás, com outro que nasceu mil anos depois e com quem nasceu no mesmo dia. Gente que é gentil. Gente que é gente (e só gente) porque sabe que as pessoas tem muito para contar. Porque sabe que o envelhecer é físico, mas a mente é eternamente jovem e eternamente velha (é que, na verdade, a mente não tem idade) e porque sabe que é bem mais incrível conhecer outros mundos, ao invés de outros muros. E, principalmente, porque sabe que os homens são ilhas por opção, e que, na verdade, “cada homem é uma partícula do continente, uma parte da terra”.

*inspirada por John Donne e por Saramago

Larissa Reis (3H1)

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