Mas havia um blog no meio do caminho

Publicado em 02/11/15

Existe, na Terra das Almas, um poço. Não qualquer poço, pois ali não havia água nem qualquer outra matéria que possa estimular a pele que habitamos. Não sei se você sabe, mas a alma, quando fora do corpo, procura o desconhecido, pra torná-lo conhecimento e poder continuar sua caminhada de evolução na Terra de Carne. Eu, graças a uma certa moça que matou o gato, conheci esse poço.

Quando eu conheci o pitoresco ponto, fiquei maravilhado e intrigado de certa forma. “Será aquele o famoso poço?” pensei comigo, e, por pura diversão, a moça sussurra um “Por que não olha de perto, pequeno?”, incitando o mesmo desejo que uma mulher teve quando uma cobra ofereceu uma maçã, e a este desejo eu cedi. Caminhei, vagarosamente, em direção ao poço de muros baixos e pedras com musgo-dos-velhos-tempos, imaginando o que havia de tão especial lá dentro. Mas, apesar de toda minha cautela, havia um blog no meio do caminho…

Eu caí!

O grande problema, é que eu caí!

Continuei caindo…

E caindo…

E caindo… Bem, você já me entendeu!

O primeiro grande problema foi o silêncio: era apenas eu, as paredes do poço, aparentemente sem fundo, e um pouco de tédio. O segundo grande problema era falta de resposta: cadê o conhecimento prometido? Era aquela queda, apenas, sem fundo, sem fundamento? Eu não entendia!

Mas, depois de alguns quilômetros de queda, eu verbalizei o meu primeiro desejo: “Tudo que eu queria era um abraço”, e foi um abraço que ganhei. Sabe do que? “Tudo que eu queria  era um abraço”, com letras garrafais e um calor confortável para passar segurança. Eu não sei de onde elas surgiram, mas surgiram, e pelos próximos quilômetros era o suficiente. Depois, eu verbalizei um poeminha/ que mais natural, não tinha/ mesmo não sendo natural/ de mim/ fazer simplórias riminhas. “Se de palavras eu tenho concretas respostas, eu gostaria de perguntar se posso ter asas nas minhas costas”. Não muito demorou para elas surgirem, mas ainda estava insatisfeito.

Eu já não estava mais preocupado, pois eu poderia voar e voltar para casa, mas não sabia se gostaria de sair, afinal, por que o poço estava ali? Demorou um pouco, mas verbalizei a grande questão, que se concretizou e caiu mais rápido do que eu. Um vento soprou uma resposta aonde meus olhos alcançavam: “Descobrir seu nome. Afinal, alguém precisar assinar-se como dono dessa história. Qual é o seu nome?”

Qual é o meu nome?

Qu(em)al é o m(eu)?

Para manter a surpresa, eu a revelo no final.

Com a resposta, bati minhas asas, satisfeito, e voltei para a Terra das Almas, novo, forte, evoluído e com uma pulga atrás da orelha. Curioso estava pra saber o motivo desse tropeço, que mais parecia golpe de sorte. Vasculhei de perto e reencontrei o blog no meio do caminho, e lá estava escrito: “Bem vindo ao poço cujo nome é Palavrarte”.

Então, a este blog, gostaria de concretizar um sentimento, e depositá-lo com carinho, e escondido, debaixo dele, pois graças a este blog, sou um espírito com asas; como Coração de Leão, “Obrigado” eu assino, na minha humilde letra cursiva.

Assinado: Coração de Leão, ex-aluno, 2014

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