Mártir

Publicado em 23/10/13

Com todo medo que já senti na vida, este momento foi o único que me fez repensar meus valores…

Estamos em um dos muitos becos escuros dessa cidade de cores opacas e frias, onde os gemidos de sofrimento dos viciados em crack e péssima iluminação, quando existente, tornam o ambiente mais assustador, perfeito para arranjar uma briga ou sofrer um estupro. Infelizmente este caso era os dois.

Nunca fui o tipo de pessoa que se preocupa muito com a própria segurança, logo, tenho certa familiaridade com essas ruas, mas o… “evento”… que está ocorrendo neste momento é um pouco mais grave. Você que está no outro lado do cano da arma. A expressão de terror estampada em sua face misturou-se com cada memória horrível, cada pesadelo que transformou noites de sono em uma sinfonia de gritos e dor, fervendo meu sangue em um frenesi de fúria e medo. Fúria de alguém tentar tirar de mim o que é mais precioso e belo, e medo deste alguém conseguir…

Eu simplesmente gritei o mais alto que consegui, pois chamando a atenção do inimigo poderia dar a você, querida, alguma chance de fugir, e, como resultado, uma bala atravessou meu ombro esquerdo, sem causar o mínimo de impacto ou dor.

Comecei a correr em sua direção e, enquanto mais projeteis passavam pelos meus lados, pego uma garrafa quebrada de bebida para usar de arma, por ser a única coisa em meu alcance durante a corrida.

Agora, falando um pouco de mim, a adrenalina, pela primeira vez, não fez minha mente ficar confusa, com milhões de pensamentos e imagens aparecendo um clarões na minha frente, nem mesmo esvaziou minha cabeça, para prevalecer o instinto de sobrevivência. Desta vez, eu tenho foco de quem é meu alvo e de quem devo ajudar. Finalmente, cara a cara com o inimigo, é a última chance que tenho para garantir sua segurança.

Uma faca de vidro entra na jugular do inimigo, e uma bala atravessa meu peito…

Arthur Degering, 2B4 

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