Fernando Pessoa chega ao Palavrarte – “Pessoa-II”

Publicado em 13/06/13

Pessoa

As estrelas são apenas pontos

Que quando não há lua iluminam a noite

E quando não há bússola indicam o caminho.

 

Os homens que veem nas estrelas seus amores e escrevem poemas para elas

Transformam o que deveria ser um astro iluminado em pensamentos inúteis e vagos.

Esses homens são tristes,

Pois tentam ver o invisível e esquecem de enxergar o que existe.

 

E as estrelas que vejo sentado na grama são apenas estrelas,

Cousas inalcançáveis que recobrem o céu

Que nada significam.

Enquanto as olho, espero o raiar,

Que as vai matar, decerto.

 

Quero olhá-las e as admirar pra sempre,

Pois só assim poderei afastar-me

Desse mortal que sou e olhar os deuses

Que nelas aparecem.

 

Colhamos as estrelas e guardemos

Seu brilho de alabastro e de marfim,

Porque a vida passa, Lídia, amada,

Mas a luz permanece.

 

E cada estrela é um pedaço meu,

Um pedaço do meu eu destroçado,

Que encontra a fuga somente no céu

E a cura no ópio, sol desgraçado.

 

Olho o céu estrelado e me identifico em cada brilho,

Pois se juntasse todos talvez surgisse um ser igual a mim.

Quem dera poder estraçalhar-me assim no firmamento,

Ser rasgado no peito por uma força tão intensa quanto a de uma máquina,

Sentir o meu corpo a se dilacerar e se tornar um milhão de estrelas.

Ó! O quão bom seria

Se cada parte de mim que não a mim pertence recebesse um brilho próprio

Para ser seu próprio eu destroçado,

Se cada parte de mim que não a mim pertence virasse um novo ser.

O quão bom seria se cada estrela que de mim saísse,

Com um brilho incompreendido, renegado, desiludido,

Se desvencilhasse e virasse

Um novo Pessoa.

 Flávia Odenheimer, 3B2

 

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