Eu são

Publicado em 11/11/13

‪Eu são

‪todos aqueles que

‪eu somos.

‪Eu sou isso mesmo. Sou fragmentos de pessoas, sou um aglomerado de muitas pessoas… que me são. E não poderia ser diferente! Todos somos lembranças. Sozinho ninguém é, sozinho ninguém pode ser. Eu lembro tudo aquilo que foi, tudo aquilo que não pôde ser, tudo aquilo que deixou de ser, tudo aquilo que nem chegou a ser, tudo aquilo que nem mesmo será. O futuro, o passado, eu sou o tempo. Eu passo. E carrego em mim as pessoas que comigo passam. Eu sou as pessoas que me passam. Eu sou o que em absoluto foi-me impresso na alma. Todos. Passam os anos. Passamos, pesamos, penamos, pensamos. Respirar é exalar lembranças: pessoas! E pessoas não há, não por si sós. Por si só, ninguém existe.

‪Pessoas são ocos de pessoas

‪que são ecos de pessoas

‪que são rotos de pessoas

‪que são cegos de pessoas

‪que são gostos de pessoas

‪que são restos de pessoas

‪que são rostos de pessoas

‪que são gestos de pessoas

‪que são mágoas de pessoas

‪que são pregos de pessoas

‪que são réguas de pessoas

‪que são egos de pessoas

‪que são reflexos de pessoas

‪que são refluxos de pessoas

‪que são refúgios de pessoas

‪que são repúdios de pessoas.

‪Que são e que são e que sendo

‪somos

‪organicamente

‪apenas

‪nós

‪a penas,

‪nós

‪sem pontas,

‪nós

‪atados,

‪em tudo,

‪o plural singular,

‪um

‪só

‪nó.

‪Um nó só,

‪um nó cego.

‪Eu sou o vento; as folhas que carrego comigo são-me mais do que eu, qualquer outra coisa.

 

Vinícius André, estagiário de Língua Portuguesa.

Compartilhe por aí!
Use suas redes para contar o quanto o Band é legal!