Discurso Turma Humanas – 2013 – Professora Cátia Luciana Pereira

Publicado em 19/02/14

Meu especial “boa noite” à turma de Humanas, ainda com um gostinho de quarta de manhã: “Bom dia, H3”; de quinta, duas últimas aulas da tarde: “Boa tarde, H1”; de sexta de manhã, dobradinha: “Bom dia, H2”.

Sou muito grata por estar aqui hoje, muito feliz e surpresa por vocês quererem ainda mais palavras dessa pretinha aqui. É muita responsabilidade falar ainda mais uma vez com vocês, falar a vocês, falar de vocês. Intuímos, planejamos, mas nunca sabemos enfim a real importância daquela palavra naquele momento ou de o que ela repercute. Seja a palavra poética, prosaica, gramatical, musical ou a palavra muda, porque às vezes calar também pode ser sábio.

Com certeza, vocês cansaram de ouvir “Vai pro seu lugar! Já leram esse texto? Como você não fez a lição? Chega de conversa, inferno, vamos voltar pra aula? Sim, isso cai na prova! Não, não estou escrevendo só pra enfeitar a lousa! Não, queridos, ninguém me obrigou, eu escolhi ser professora! Desculpe, mas eu não entendi a sua dúvida…Gente, já falei que meu cabelo não é tema da aula! Emy, é você que está tumultuando? Tá bom, Benny, pode declamar o poema. Qual é a polêmica agora, Mikael?

E cantando “a beleza de ser um eterno aprendiz”, descobrimos juntos o que “diz” a música; o que poetiza uma crônica; o que proseia um poema; o que sussurra uma propaganda e o que a gramática tem a ver com tudo isso junto. Afinal, naquela clássica do Djavan, “Vem me fazer feliz porque eu te amo / Você deságua em mim e eu oceano”, o eu lírico conta seu amor, numa canção, com uma imagem linda resultado de…qual é mesmo aquele processo de formação em que a palavra muda de classe gramatical? Daqui a um tempo vocês não vão mais lembrar o nome – a não ser meus futuros colegas de Letras – mas isso não importa. O que é relevante é que vocês aprenderam a olhar, a enxergar a lógica nas ambiguidades; o belo esqueleto da sintaxe, que estrutura o que vocês dizem e o que vocês querem dizer; a precisão de um verbo no tempo e modo necessários para garantir a atenção alheia e aprenderam até a aceitar o “inexorável”, seja da vida ou de uma primeira fase da Fuvest!

Repito: todos os nomes podem ser esquecidos, mas, rodeados por aqueles tijolinhos, nas salas e corredores do 4º. andar, em meio a apostilas, provas, simulados e refos, nós vamos sempre nos lembrar do que descobrimos, aliás, do que construímos ao longo desse ano: o respeito, o amor, a liberdade.

O respeito ao espaço que temos e ao que desejamos construir. O respeito à força, à garra de um e às limitações de outro. O respeito a todas as diferenças, de qualquer ordem, sem preconceito, afinal, se há algo que iguala um ser humano a outro é a diferença (e não venham criticar meu paradoxo!).

O amor à aprendizagem, às coisas e às pessoas, em todas as suas nuances e formas. Podem achar clichê, mas já perceberam a infinidade de textos que cantam, contam, poetizam o amor ou sua falta? Até mesmo aqueles sobre uma guerra que começou por amor ou desamor a alguém ou a uma causa, mas essa história é melhor com o Pérsio!

A liberdade de ir e vir, de expressão, de escolha. Como é difícil ouvir uma opinião contrária à nossa, mas como crescemos com o debate! Como saber até onde vai minha liberdade e quão sou responsável por ela? Desde a entrada e o ficar na sala de aula, à quase interminável discussão de um texto, de um assunto gramatical ou à revolta com uma notícia da semana, as nossas experiências todas nos colocaram essas questões e vão nos colocar sempre, sejamos jovens de 10, 20, 40, 60 anos ou mais. Que vocês possam fazer sempre as próprias escolhas, com liberdade, que só é possível quando se é responsável consigo e com o outro.

Embora eu espere ainda ver muitos de vocês, não há como discordar dos poetas: “a hora do encontro”, desse nosso encontro de hoje, “é também despedida”, “a saudade é o pior tormento”, mas “eu sei que eu vou te amar [turma de 2013] / por toda a minha vida”.

Cátia

 

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