Diálogo entre dois velhos em um pequeno calhambeque

Publicado em 25/11/13

Em um pequeno calhambeque, discutiam dois velhos. Dava sempre em briga.

 

— Esse não é o caminho certo.

— É sim.

— Como é que você sabe?

— Eu sei, oras.

— Mas o sol está para aquele lado, nós estamos indo para norte, ou seja, estamos errados.

— Mas não estamos.

— E como você sabe?

— Eu li num livro.

— Leu o quê?

— Que o caminho é esse.

— E daí?

— Eu acredito.

 

Em um pequeno calhambeque, discutiam dois velhos. Dava sempre em discórdia.

 

— Por que você parou?

— Porque o sinal está vermelho.

— Mas não tem mais nenhum carro por aqui!

— E daí?

— Pode seguir!

— Não.

— Por que não?

— Porque seria um desrespeito à lei.

— Mas não tem mais ninguém aqui, qual o problema?

— Desrespeito à lei resulta em punição.

 

Em um pequeno calhambeque, discutiam dois velhos. Dava sempre em violência.

 

— A gasolina tá acabando.

— Ele aguenta um pouco mais.

— Vai acabar, melhor parar pra abastecer.

— Ele não vai nos deixar na mão.

— Se você não alimentar, ele morre.

— Ele vai nos levar aonde precisamos ir.

— E aonde precisamos ir?

— Em frente.

 

Em um pequeno calhambeque, discutiam dois velhos. Dava sempre em guerra.

— A gente tá indo rápido demais.

— Pelo contrário, não estamos nem nos movendo.

— Como não?

— Estamos parados.

— Claro que não! Estamos indo em frente!

— Não saímos do lugar.

— Mas você está pisando no acelerador, criando uma força que impulsiona o carro para frente!

— E como você sabe?

— Eu li num livro.

— E daí?

— Eu acredito.

 

Em um pequeno calhambeque, discutiam dois velhos. Dava sempre na mesma.

 

Lucas Akio Nakamura, 2H2

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