Corrida contra o vento

Publicado em 07/05/14

Corri em direção à colina.

Disparei na frente, não virei para atrás.

Senti ele vindo, alcançando-me pelo calcanhares.

Um sopro de distância, puxava a saia do meu vestido.

Apertei o passo, nem liguei para as sapatilhas.

Pisei na lama, na grama, no chão da terra respingada.

Achei que ia ganhar, estava quase no topo.

Menos de um metro para alcançar a árvore: O ponto de chegada.

Quase, quase, quase lá!

Só mais sete? Seis passos? Cinco?

Eram poucos os centímetros que me faltavam.

Mas ele ganhou.

Passou por mim que nem o rebuliço que era.

Agitando os babados do vestido

e fazendo voar as mechas de cabelo.

Estrondoso como um rugido de leão.

Não contou vantagem, não zombou de mim.

Tanto eu quanto ele sabíamos quem iria ganhar.

Nós sempre sabíamos.

Estava a três passos da árvore quando ele se chocou contra ela.

Os galhos balançaram, as folhas se mexeram,

algumas até cairam.

Era um ponto de chegada, mas só o meu.

Ali era o meu final e outro começo para ele.

Despencou colina abaixo e subiu mais rápido que lampejo pro céu.

Não ia voltar tão cedo.

Quem sabe até não voltaria nunca mais.

Nem eu, nem ele sabíamos.

Mas até lá, já vou treinando para a próxima corrida.

Laura Turpin (3H2)

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