Bruta entrevista

Publicado em 10/06/13

O físico sente escorrer pelo nariz e pelo queixo

a gota que cai e o faz pensar

Sobre a tensão superficial que faz a gota ser uma esfera, e sobre o atrito do ar que a deforma levemente. Sobre a força gravitacional, que a faz percorrer, no segundo milésimo de queda, três vezes mais espaço do que percorreu no primeiro milésimo, e sobre como percorrerá uma sucessão-de-números-ímpares mais espaço a cada milésimo seguinte, e sobre como a tal sucessão não é infinita, mesmo que a gota caísse indefinidamente com as mesmas condições e gravidade, pois eventualmente a gota chegaria próxima da velocidade da luz, e então a sua massa…

A gota chega ao chão, e ele acorda de seu devaneio.

Sente suas costas reclamarem da posição desconfortável em que estiveram por horas.

Sente em seus pulsos a corda áspera que o prende.

Sente em suas vísceras um resquício da ultima pancada.

Sente em sua testa outra gota de sangue se formando na pele esfolada,

tão interessante quanto a última,

tão dispersiva quanto um poema

Giulio Sucar Pregnolato, ex-aluno da turma de 2012

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