Ao travesseiro desconfortável e sua amiga, a ansiedade

Publicado em 21/10/13

Peixe, peixe, meu querido peixe, encontrou minha cabeça por ai?

Lembro que dormia,

e entre tantos pesadelos ela resolveu fugir

Pulou de mim e correu para sabe lá onde

Peixe, peixe, meu querido peixe,

Encontrou minha cabeça ai?

 

Voa pra Galápagos, que ela deve ter ido para lá!

Ou Saturno, ou Júpiter, ou qualquer outro lugar

Só sei que foi para bem longe daqui

Ah, minha cabeça, por que fugiu de mim?

Não vá sozinha – volte para cá!

Tá ficando escuro,

E minha mão não tem mais nada para apoiar.

 

Corre, peixe, peixe, corre que o mundo tá girando (ou seria minha cabeça?)

Larga esse pedaço de tijolo:

Chega de brincar!

A coisa é séria, peixe, e eu estou ficando perdido…

Coitado de mim, se a minha mãe chegar

E vir a minha cabeça fora do lugar!

 

Espera um segundo, quem é esse que chega ai?

Quem é esse que chega ai?

Camaleão, é você? – Tá frio aqui…

Traz alguma notícia boa para mim? – Olha, um pássaro!

Algo macio, talvez?

Cachalote, sai de cima de mim!

Emagreceu, hein camaleão!

Com licença, senhor, viu um par de pernas por ai?

Desculpa, não consigo te ouvir direito

Com alguns braços, e um tronco?

É toda essa gritaria aqui, não consigo te ouvir

Tá frio aqui, e escuro…

Para de chorar, bebê!

As paredes estão se fechando

Toda essa gritaria, peixe, tira a minha concentração, camaleão!

Olha, uma luz! O fim do túnel, até que enfim!

Já chega!

 

Não quero mais perder a cabeça.

Rodrigo Leme, 3H3 

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