A voz

Publicado em 31/10/14

Aquela manhã começara, enevoada, fria e melancólica, com uma leve garoa caindo, o que dava a impressão de que as folhas eram mais verdes e o ar era mais cinzento. Tudo me dava uma sensação de enjoo, queria que aquilo acabasse. Infelizmente ainda tinha o dia inteiro pela frente, não havia nada que eu pudesse fazer. Era um domingo e queria ficar trancada no meu quarto mexendo no computador, mas minha mãe não deixou, não tendo mais nada para fazer, resolvi sair de casa, procurar algo legal para fazer, apesar de parecer destinada a ficar infeliz.
Caminhei triste pelas ruas poluídas da cidade, sem rumo. Passaram-se horas, escureceu e a nevoa se dissipou, avistei o antigo parque em que eu costumava brincar quando era pequena. O lugar parecia abandonado, um daqueles lugares onde você tem a sensação de ser assombrado. O cheiro era terrível, parecia que eu ia desmaiar com aquele odor. O parque tinha seus brinquedos quebrados e enferrujados. O ruído das folhas de árvore soava pelo ar enquanto folhas de papel voavam, como se estivessem tentando escapar dali. Queria ir com elas, sentia-me observada.
O vento gelado batia em meu rosto e meus dentes rangiam, parecia que estava acontecendo um terremoto em minha boca. Sentei no balanço, este fez um rangido ensurdecedor. Levantei-me e voltei a caminhar. De repente um cheiro de enxofre e uma estranha neblina surgiram e impregnaram o ar a minha volta. Escutei alguém me chamando, virei-me, não havia ninguém. Continuei meu caminho para casa. Escutei novamente o chamado, olhei em volta, nada, ninguém. A macia voz vinha do nada. Sabia que deveria voltar para casa, mas o mistério me seduzia, sempre fui curiosa, queria descobrir de quem era aquela voz.
Minha procura parecia em vão, a cada passo no rumo, a voz mudava a direção ou a distância. O tempo parecia não passar, o mistério me consumia. A voz me conduzia para partes da cidade que nunca tinha visto antes, mas continuava. Minha perseguição era doentia e o que vou dizer pode parecer loucura mas eu reconhecia aquela voz de algum lugar. De súbito um raio de luz me cegou, amanhecera e eu não havia voltado para casa. Junto com o nascer do Sol a voz se foi, mas tinha a sensação de que voltaria a ouvi-la.

Taís Mendes Heise 8C 31

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