A maior distância possível

Publicado em 04/09/13

sobre o tapete descansava o mármore negro

banhado em vinho e coberto de taças

e flores e coisas bonitas

e paz.

tocavam-lhe olhos profundos

de uma escultura com a pupila cavada

que o escultor achou melhor fazer em preto e branco.

as horas eram feitas de mel,

um mel azedo e já podre,

mas que ainda fluía como recém arranjado.

caíam as cortinas brancas ao chão

molhadas como houvesse chovido um temporal.

e caíam tão suavemente

que pareciam uma folha ainda verde a boiar no silêncio.

um livro aberto soltava ideias

que planavam no ar e fatiavam a imobilidade,

mesmo que em plena discrição.

o livro era triste.

cheio de pensamentos tristes,

que enchiam a sala vazia, mas também

enchiam os lenços de lágrimas pesadas,

lágrimas que perdiam seu sentido com o tempo

e deixavam todo seu significado perdido no vento

até caírem ao chão leves como o ar.

o tempo voava, mas não se percebia.

era um dia amargo, feio, desprezível.

e o menino pardo de olhos profundos

encarava no chão,

sob as flores molhadas de sangue,

o corpo estirado de sua mãe.

 

flávia odenheimer trevisan, 3b2

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