Publicado em 22/04/14

“Talvez Dostoiévski venha a ser para mim o que Dante foi para Michelangelo”, declarava Max Beckmann ao editor Reinhard Piper há pouco mais de um século, em agosto de 1912. Não poderia ter resumido de forma mais sucinta o lugar de Dostoiévski no universo intelectual do Expressionismo alemão:

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mais que um escritor entre outros, o romancista russo viu-se elevado à condição de profeta, devisionário da era moderna – digno, portanto, do esforço de tradução imagética a que Beckmann alude.

O marco inicial dessa ambição coletiva foi justamente, naquele ano de 1912, uma série de desenhos de Beckmann sobre Recordações da casa dos mortos. A partir daí, dezenas de nomes ligados ao Expressionismo alemão contribuíram seu quinhão, maior ou menor, para esse veio de criação visual: Beckmann, Kubin, Heckel, Segall, Möller, Burchartz são apenas alguns dentre os muitos que se empenharam em dar rosto ao Raskólnikov de Crime e castigo, ao príncipe Míchkin de O idiota, à pobre heroína de Uma criatura dócil ou à multidão de personagens de Os irmãos Karamázov.

Reunindo desenhos, gravuras e livros, a exposição Noites brancasapresenta algumas das peças-chave dessa tradição em preto e branco, que se estendeu da Munique da década de 1910 ao Rio de Janeiro de 1944 – ano em que a editora José Olympio empreendia a publicação em português das Obras completas de Dostoiévski, em volumes ilustrados por artistas como Oswaldo Goeldi e Axl Leskoschek, e assim escrevia o inesperado epílogo brasileiro dessa história alemã.

Samuel Titan Jr.
Curador

Serviço
Exposição Noites brancas: Dostoiévski ilustrado
Abertura dia 27 de julho, às 17h00
de 27 de julho a 29 de setembro de 2013
Diariamente das 11h00 às 19h00
Fechado às terças-feiras

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