Publicado em 18/11/13

Abandonando lentamente meus velhos hábitos

para esconder dessa gente

minha decepção

 

Não esperava que isso fosse acontecer

sequer percebi que

essa possibilidade existia

até me atropelar…

Mas vou abandonando tudo,

essa gente não deve ver nada

 

Não é por medo de mostrar fraqueza

o medo é de ser fraco.

Mas de que adiante ter medo

do que já está tão próximo?

É melhor temer pelo que se pode salvar

E eles jamais devem ver

 

A imagem é boa,

a ilusão também.

Como saberão que é uma mentira?

Apenas não.

Eles jamais podem saber

 

O velho hábito de jogar tudo no lixo

quando convém

O velho hábito de por fogo

em cada detalhe

O velho hábito de adotar vícios

O velho hábito de perder

para, enfim, amar

O velho hábito de querer o velho

O velho hábito de esconder

 

Que nunca percebam!

 

Tão velho

e tão interiorizado

Tão passado

mas tão presente

Tão novo

na sua obsoleta realidade

 

Mas se não enxergarem,

está tudo bem

 

Nem faz sentido

E não deve fazer

 

Porque a fraqueza

a dor

a falta de perspectiva

só existem, sem precisar de sentidos

 

E que eu me proteja

de mim

 

Dispensam explicação

se jogam de um penhasco

sem pensar duas vezes

 

São e só

São e louco

São ou foram?

 

E que eu me proteja

deles

 

O que importa é que não vejam

nunca

em hipótese alguma

 

Entregar poder

a quem não se ama

a quem não te ama

a quem te deixa fraco

a quem poderia te deixar fraco

é esperar

quieto

pelo fim

 

Nicole Macedo, 3H3

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