09/08/2017

Publicado em 12/03/18

esta é uma carta de despedida.

passei meses juntando coragem pra te escrever novamente, e você sabe o quanto eu costumo ser boa com palavras. acho que estava com medo de te dizer tchau e me desapegar dessa coisa intensa que foi a gente, beija-flor.

hoje, quando lembro das tardes passadas sentados no meio fio, meu coração já não se acelera a ponto de quase pular do peito, mas meu peito se enche de calma, sensação que relembra a de missão cumprida. ao passear pela grande Avenida Paulista, meus olhos já não buscam seu rosto, beija-flor, em cada sombra que entra em meu caminho, e o gosto de cigarro na minha boca não traz nenhuma lembrança, sem ser a de que eu vou me matando aos poucos, como sempre fiz.

é como se você nunca estivesse estado aqui dentro, mesmo que eu saiba que esteve. porque, beija-flor, eu sou quem sou hoje por conta de seus amores e vacilos, e também por todas as vezes que você não quis saber da minha existência.

hoje, você existe longe, em outro lugar que não os mesmos de sempre. me traz tranquilidade saber que nossa presença estará eternamente gravada naquele banco de praça, servindo de cenário para outras histórias de amor, como a nossa foi.

agora você voa livre, beija-flor, e eu não espero que cante pra mim outra vez.

 

Paula Samara, ex-aluna 2016

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