Do Band (à USP) a Harvard 

Publicado em 08/06/17

Oi, como estão as coisas no Brasil?

Com o passar dos meses, estamos cada vez mais perto do fim do ano, e concomitantemente, dos temidos vestibulares. Como o intuito do blog é dividir não apenas as experiências do intercâmbio, mas também tudo que me trouxe até aqui, a partir de agora farei alguns posts respondendo às várias perguntas que tenho recebido sobre vestibular (não só para medicina). Te convido a participar também, mandando e-mail com suas dúvidas para dobandaharvard@gmail.com. Que fique claro que nada descrito abaixo é uma verdade absoluta, são simplesmente coisas que deram certo para mim, e que podem dar certo para você também!

Quando é a melhor hora para começar a estudar para o vestibular?

Desde o 6o ano (ou 5a série, como era “na minha época”), eu sempre estudei, não exatamente para o vestibular, mas para as provas do Band, o que no fim dá na mesma. Comecei a pensar no vestibular no 1o ano do Ensino Médio, mas só estudei especificamente a partir do começo do 3o. Aqui, não há segredo: se você presta atenção às aulas, faz as lições de casa e estuda direito para as provas, você já está estudando para o vestibular.

Carol, no 3o ano, você estudava todos os dias?

Pergunta complexa. Eu sempre prestei muita atenção às aulas. Fazendo isso, 70% do estudo já está feito. Mas é prestar atenção MESMO, com o celular desligado embaixo da mesa. Na minha época (me sinto uma anciã falando assim), não existia WhatsApp ou Instagram, então era mais fácil resistir à tentação. Uma coisa eu garanto: a combinação aula + Facebook não funciona.

Quando eu chegava em casa, eu só fazia as lições que haviam sido passadas e dava uma olhada rápida nas aulas do dia para fixar o conhecimento e ver se tinha ficado alguma dúvida, a fim de esclarecê-la no dia seguinte. Aqui, queria dar uma dica importante: não fique com dúvidas! Os professores estão ali justamente para isso. Você nunca sabe se a sua dúvida vai ser uma pergunta da FUVEST…

Meu “terceirôô”, na tradicional festa junina do Band

Meu “terceirôô”, na tradicional festa junina do Band

Como era sua rotina no 3o ano, Carol?

Eu montei um cronograma de estudos muito bem definido, e recomendo que você faça o mesmo. Às segundas, a aula acabava às 12h30, então usava o resto do dia para fazer as lições. Às terças e quintas, eu tinha o famoso “integral” (ou seja, aulas das 7h às 18h30), e depois disso, treino de handebol, que foi uma das minhas principais válvulas de escape nesse ano tão estressante. Dica: faça um esporte que te dê prazer durante o 3o ano, cerca de 2 vezes por semana. Sedentarismo vai fazer mal não só para o seu corpo, mas também para o seu rendimento acadêmico!

Uma saudade: handebol no Band

Uma saudade: handebol no Band

Depois dos deliciosos treinos de handebol com a Profa. Camila (saudades!), eu chegava em casa perto das 21h e não estudava: era banho, jantar e cama. Não adianta, nem o meu cérebro nem o de ninguém funcionam depois de 12 horas de aula.

Às quartas, depois da aula, eu fazia o curso de aprofundamento para Medicina, e chegava em casa às 18h. Aproveitava o resto do dia para estudar.

Sexta-feira era o meu dia livre, então depois da aula ficava com o namorado, amigos ou família, fazendo algo que me fizesse descansar, seja cinema, parque, ou qualquer coisa do gênero.

Sábado e domingo não eram dias livres! Acordava umas 8h e aproveitava para colocar toda a matéria e as lições em dia. Saía para almoçar ou jantar fora ocasionalmente, mas a maioria do dia era composto por estudos. Sendo muito direta, acho importante compartilhar com você uma coisa que eu sempre tive muito clara na minha mente: eu só queria fazer o vestibular uma vez, então tinha que ser bem feito. Falhar significaria ter que repetir essa rotina intensa de estudos por mais um ano, e isso definitivamente não estava nos meus planos.

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Você fez todas as apostilas de revisão?

Não, e não se sinta culpado se você também não fizer: realmente é muuita coisa. Mas eu fiz a grande maioria, e o importante não é o quanto você faz, e sim quais você faz. Priorize os temas em que você tem mais dificuldade, e as matérias que serão mais cobradas dependendo do curso que você escolher. Por exemplo, eu amava História, mas não tinha muita dificuldade e a matéria não seria muito cobrada no vestibular para medicina, então dava uma olhada rápida mas atenta nas apostilas e fazia algumas das questões, mas não todas.

Carol, você descansou nas férias de julho ou ficou estudando o mês inteiro?

Descansei, claro! Uma semana sem estudar nas férias de julho só vai te fazer bem. Aproveitei para comemorar o fim do Ensino Médio com meus amigos. Até hoje, meus melhores amigos são os que eu fiz no Band, então não poderia perder essa oportunidade única de aproveitar alguns dias de sol com eles.

Acima, em 2009. Abaixo, em 2015. Melhores amigas até hoje, desde a 6a série.

Acima, em 2009. Abaixo, em 2015. Melhores amigas até hoje, desde a 6a série.

Maaaas… depois de voltar da viagem, aproveite as férias para estudar também. Eu não estudava o dia todo, mas passava pelo menos umas 6 horinhas debruçada sobre os cadernos e livros.

Antes de terminar o post, de volta a Harvard, só quero dividir com você uma novidade: você lembra-se de quando contei toda animada que havia conhecido o Jorge Paulo Lemann? Pois bem, acabei de assistir uma palestra ministrada por um tal de Ban Ki-moon, oitavo secretário geral da ONU!! Uma oportunidade inacreditavelmente indescritível. E o que isso tem a ver com o resto do post? Pois bem, são momentos como esse que me fazem ter certeza que estudar para ir do Band à USP a Harvard valeu MUITO a pena!

Cartaz anunciando a presença de Ban Ki-moon em Harvard

Cartaz anunciando a presença de Ban Ki-moon em Harvard

Até semana que vem!

Carol Martines
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Carolina Martines estudou no Colégio Bandeirantes de 2006 até 2012. Em 2013, foi aprovada em primeiro lugar na Escola Paulista de Medicina (UNIFESP), mas optou por cursar medicina na Universidade de São Paulo (USP). Depois de concluir os quatro primeiros anos da faculdade no Brasil, foi aprovada em um programa que a Faculdade de Medicina da USP tem com a Harvard University. Este programa seleciona estudantes que terão o privilégio de ser alunos de Harvard por um ano, trabalhando com pesquisa científica.

“Pense, acredite, sonhe e atreva-se.”. (Walt Disney)

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