Congresso em Washington, D.C.

Publicado em 14/06/17

Oi, como estão as coisas por aí?

Hoje, quero te contar uma das histórias mais legais que vivi no intercâmbio até agora: a alegria de participar do meu primeiro grande congresso internacional de medicina e, de bônus, o deleite de conhecer a cidade mais majestosa dos Estados Unidos, Washington, D.C.

Tudo começou alguns meses atrás, quando o meu departamento todo na Harvard School of Public Health estava em rebuliço devido à abertura das inscrições para a conferência internacional da American Thoracic Society, o maior congresso dos EUA nas áreas de pneumologia e medicina do sono. Como estudamos pulmões por aqui, é importantíssimo que os pesquisadores do Brain Lab frequentem esse evento anualmente, tanto para aprenderem sobre os últimos avanços da ciência e se atualizarem, quanto para apresentarem suas descobertas mais recentes. Obviamente, eu queria muito participar, mas pulei de susto quando vi o preço da inscrição: cerca de 700 dólares apenas para frequentar o congresso, sem contar todos os custos da viagem, o que no idioma de uma intercambista só quer dizer uma coisa – desista, querida.

Seguindo a recomendação do meu chefe, o Dr. Brain, comecei a explorar o site da American Thoracic Society (ou ATS, para os íntimos) em busca de uma solução. Um congresso dessa magnitude devia ter algum programa de bolsa de estudos, e me aliviei quando descobri que tinha! O único porém é que este funcionava com base em um processo seletivo que contava com muitos candidatos. Me inscrevi e cruzei os dedos, torcendo para que o fato de eu estudar em Harvard me ajudasse a conseguir uma das poucas vagas disponíveis.

Vou parar de fazer suspense, pois você já sabe que consegui a bolsa de estudos, caso contrário não estaria escrevendo sobre isso. Quando recebi o resultado, fiquei muito feliz e comecei a contar os dias para a viagem. Eu já frequentara inúmeros congressos, tanto no Brasil quanto nos EUA, e inclusive já organizara um congresso de Cirurgia Plástica em São Paulo no ano passado. Contudo, a ATS era especial. Nenhuma das conferências anteriores chegava aos pés dela: um público de 17 mil pessoas provenientes de 103 países.

Depois de longas semanas de espera e 11 horas no ônibus, eu finalmente cheguei na capital dos Estados Unidos da América, onde fui recebida por um céu de brigadeiro e um calor delicioso.

Uma Carolina muito feliz e o Capitólio ao fundo

Uma Carolina muito feliz e o Capitólio ao fundo

O congresso da ATS era muito maior do que eu poderia imaginar nos meus melhores sonhos. Durante seis dias, praticamente todos os hotéis da cidade de Washington sediavam o evento, e era realmente difícil decidir para onde ir. Além das aulas de altíssimo nível, há alguns pontos que achei muito interessantes sobre esse congresso dos quais tratarei a seguir.

No primeiro dia, houve um café da manhã de orientação para os alunos do programa de bolsas, a fim de nos ensinar meios de aproveitar ao máximo o congresso. Pode soar inútil, mas quando se está pela primeira vez em uma conferência na qual mais de 50 aulas, exibições e discussões estão ocorrendo simultaneamente, é muito importante ter alguém para te guiar e te mostrar quais eventos são mais adequados para uma aluna do quinto ano de medicina.

Entrada da ATS

Entrada da ATS

Ademais, a cada um dos alunos do programa foi designado um fellow: um médico formado que já terminara a residência e estava estudando para se especializar ainda mais. O fellow era escolhido com base nos interesses acadêmicos de cada aluno, e o objetivo era proporcionar a troca de experiências sobre medicina. Achei bem interessante esse sistema, e nunca tinha visto algo parecido no Brasil.

Uma das incontáveis salas de aula da ATS

Uma das incontáveis salas de aula da ATS

Outro ponto que eu gostaria de ressaltar foi o Women´s Forum, um almoço festivo composto majoritariamente por mulheres em que é premiada a ”médica do ano” no julgamento da ATS. A vencedora de 2017 foi a Dra. Redonda Miller, a primeira mulher presidente do Hospital Johns Hopkins. Seu discurso ao receber o prêmio foi inspirador: ela falou da carreira de sucesso, das dúvidas e das ambições que ela tem como médica, sem deixar de lado a dona de casa, a mãe e a esposa. Ouvi o discurso da Dra. Miller e foi impossível não pensar que é assim que eu quero ser no futuro.

Depois dos compromissos acadêmicos de cada dia, eu me esbaldava nos parques, construções, museus e paisagens impressionantes de Washington. Que cidade de tirar o fôlego!

Washington Monument, no coração da cidade

Washington Monument, no coração da cidade

A Casa Branca não poderia faltar

A Casa Branca não poderia faltar

Dica turística: se você ama museus tanto quanto eu, Washington é o seu lugar. O Instituto Smithsonian possui 19 museus em Washington, de História do Índio Americano a Galerias de Arte, de História Afroamericana a História Natural. Todos ficam abertos 364 dias por ano e são totalmente grátis.

Lincoln Monument à luz do dia...

Lincoln Monument à luz do dia…

...e ainda mais lindo à noite

…e ainda mais lindo à noite

Em suma, foram dias absolutamente incríveis. Assisti aulas ministradas por grandes nomes da medicina do mundo todo, conheci pessoas muito interessantes e aprendi mais do que eu posso expressar. Tudo isso em uma cidade deslumbrante e imponente, que eu sempre sonhara em conhecer.

Até semana que vem!

 

Carol Martines

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Carolina Martines estudou no Colégio Bandeirantes de 2006 até 2012. Em 2013, foi aprovada em primeiro lugar na Escola Paulista de Medicina (UNIFESP), mas optou por cursar medicina na Universidade de São Paulo (USP). Depois de concluir os quatro primeiros anos da faculdade no Brasil, foi aprovada em um programa que a Faculdade de Medicina da USP tem com a Harvard University. Este programa seleciona estudantes que terão o privilégio de ser alunos de Harvard por um ano, trabalhando com pesquisa científica.

“A possibilidade de realizarmos um sonho é o que torna a vida interessante.” (Paulo Coelho)

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