A estátua de John Harvard

Publicado em 21/03/17

Oi! Bem-vindo de volta!

Essa semana, vou te contar sobre a estátua de John Harvard e sobre o processo seletivo que me trouxe até Boston. Você deve estar se questionando: mas o que uma coisa tem a ver com a outra? Prometo responder essa pergunta até o final do post.

Comecemos conversando sobre o processo seletivo. Há em média sete laboratórios na Harvard School of Public Health que aceitam alunos da Faculdade de Medicina da USP, por meio de uma colaboração da USP e de Harvard que existe há 10 anos. Seis destes laboratórios realizam seu processo seletivo conjuntamente em junho, a fim de escolher os alunos que participarão do intercâmbio no ano seguinte. Apenas um dos laboratórios faz a seleção individualmente, em julho, pouco depois dos outros seis, mas a estrutura do processo é basicamente a mesma do anterior.

Prédio da Harvard School of Public Health, onde ficam os laboratórios

Prédio da Harvard School of Public Health, onde ficam os laboratórios

A seleção é feita em duas etapas. Na primeira, o aluno precisa preencher uma application por meio de um formulário online, respondendo a algumas perguntas e anexando certos documentos, como o currículo, histórico escolar e carta de motivação (texto no qual o aluno explica porque acha que merece ser aprovado). O aluno também deve, no processo seletivo de junho, indicar sua ordem de preferência entre os seis laboratórios. A grande maioria dos candidatos está no terceiro e quarto anos. É um formulário consideravelmente longo que leva alguns dias para ser submetido.

As applications são então analisadas por uma equipe, que seleciona os alunos que realizarão a segunda fase, com base nos documentos enviados e na média geral do aluno na faculdade (a nota de corte varia entre 7 e 8). Por fim, vem a segunda etapa, que é composta por uma série de entrevistas individuais com professores de Harvard por videoconferência (em inglês, obviamente). Alguns dias depois, chega o tão esperado e-mail com a resposta final e, se esta for positiva, o laboratório a que o aluno foi designado.

No meu caso, eu prestei pela primeira vez em 2014, quando estava no terceiro ano da faculdade. Infelizmente, por motivos que hoje eu não compreendo, eu demorei para decidir que queria mesmo Harvard (quem em sã consciência pode não querer estudar na melhor universidade do mundo?), então perdi o processo de junho e apenas prestei o de julho. Havia somente duas vagas, e eu não passei.

Aquilo me marcou. Por mais que fosse um processo assaz exigente, no qual eu estava competindo com outras pessoas que também haviam passado na Fuvest, eu havia falhado. Contudo, aquilo me marcou de um jeito extremamente positivo, de um modo que só me fez querer ainda mais estar onde eu estou hoje, de uma maneira que me fez lutar muito mais. Então, passei um ano melhorando meu currículo, minhas notas, minha carta de motivação: eu queria tornar impossível eu não ser aprovada. Em 2015, prestei novamente o processo. O resultado você já sabe: fui selecionada, e na minha primeira opção de laboratório.

Naquele mesmo julho de 2014, quando prestei Harvard pela primeira vez, eu vim para Boston visitar grandes amigos, e eles me levaram ao famoso Harvard Yard, no centro do qual fica a estátua de John Harvard (finalmente falamos dela!). Reza a lenda que tocar os pés de John Harvard dá sorte, tanto que as pessoas fazem longas filas para tal. Eu, evidentemente, não pude deixar de seguir a tradição. Naquele dia de verão inesquecível, ao tocar a estátua, eu fiz um pedido. Algumas semanas atrás, assim que cheguei a Boston, um dia de inverno igualmente inesquecível, eu repeti o mesmo ato. Só que dessa vez, ao invés de pedir, eu só consegui agradecer: o meu desejo, voltar pra lá como aluna de Harvard, se tornara realidade.

À esquerda, em 2014, o pedido. À direta, em 2016, o agradecimento.

À esquerda, em 2014, o pedido. À direta, em 2016, o agradecimento.

Voltemos enfim para a pergunta que você se fez logo no começo desse post: o que a estátua de John Harvard tem a ver com o processo seletivo? Eu te respondo com uma só palavra: determinação. E agora, eu me dou ao direito de te perguntar: o que VOCÊ pediria ao tocar a estátua de John Harvard? Qual seu maior sonho? E, acima de tudo, o que você está fazendo para torná-lo realidade?

Até a próxima.

Carol Martines
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Carolina Martines estudou no Colégio Bandeirantes de 2006 até 2012. Em 2013, foi aprovada em primeiro lugar na Escola Paulista de Medicina (UNIFESP), mas optou por cursar medicina na Universidade de São Paulo (USP). Depois de concluir os quatro primeiros anos da faculdade no Brasil, foi aprovada em um programa que a Faculdade de Medicina da USP tem com a Harvard University. Este programa seleciona estudantes que terão o privilégio de ser alunos de Harvard por um ano, trabalhando com pesquisa científica.

“Façamos o nosso futuro agora, e façamos dos nossos sonhos a realidade de amanhã.” (Malala Yousafzai)

“He gazes for a moment into the future, so dim, so uncertain, yet so full of promise, promise which has been more than realized.” (Descrição da estátua de John Harvard, autor desconhecido)

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