Produção textual – "Mobilidade urbana" (PUC 2016) – Beatriz Garcia

Publicado em 20/10/16

A PUC, no vestibular do ano passado, pediu aos alunos que redigissem uma carta a um dos dois especialistas em mobilidade urbana apresentados pela coletânea, concordando com suas ideias ou refutando-as. A Beatriz, da 3E2, escreveu sua carta ao engenheiro e mestre em transportes Sérgio Ejzenberg, questionando seus argumentos de que o motorista não pode ser culpabilizado pelos congestionamentos da cidade de São Paulo. Mais do que refutar, a Beatriz conseguiu embasar sua crítica com o bom uso de contra-argumento e com reflexões que evidenciam sua preocupação com o bem coletivo, em detrimento do individual. Além disso, manteve a interlocução própria do gênero carta, explorando-o também com o bom uso de exemplos de sua própria vivência.
Aproveitem a leitura desse ótimo exemplo de carta argumentativa!
 

São Paulo, 30 de setembro de 2016
Prezado senhor Sérgio Ejzenberg
Redijo-lhe esta carta a fim de manifestar e embasar meu desacordo com o ponto de vista apresentado por sua matéria. Eu, como cotidiana usuária do transporte público paulistano, que dispensa o uso do próprio carro, discordo de que o uso do automóvel seja tão essencial quanto alegado.
É fato que a grande maioria dos usuários de carros usam-no para trabalhar ou estudar, entretanto, esses dados não significam que tais usuários não possuam a possibilidade de, com algum esforço, trocar o transporte privado pelo público. Eu, ao optar pelo uso do sistema de ônibus, aumento o período de minha jornada em dez minutos, e abro mão do conforto de estar sozinha em meu carro. Tais sacrifícios, entretanto, resultam em um carro a menos nas ruas diariamente, melhorando o trânsito para aqueles que possuem o automóvel como única alternativa, e diminuindo o impacto ambiental.
Por isso, considero imprescindível que o paulistano coloque o benefício coletivo acima do individual. Uma vez que a maioria da população da cidade faz uso do transporte público no dia a dia, o benefício coletivo implica a expansão e melhora do sistema de transporte público, mesmo que esta acarrete prejuízo à minoria usuária de carros, que inclusive passaria a optar pelo transporte coletivo ao perceber que o uso deste passa a ser mais vantajoso que o uso do automóvel.
Dessa forma, fica claro fica claro para mim que o uso do automóvel é opcional para muitos, independentemente do objetivo do uso deste, e que a melhor alternativa para a melhoria do trânsito paulistano é o investimento no transporte público, mesmo que este acarrete desvantagens ao transporte privado, em nome do benefício coletivo.
Atenciosamente,
Carla Mendes
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